Protágoras (490 a.c. – 420 a.c.)

O homem é a medida de todas as coisas.

 

“Muitas coisas impedem o conhecimento, incluindo a obscuridade do tema e a brevidade da vida humana.” [Protágoras]

        Estudioso nascido em Abdera na Grécia tinha como sustento uma vida de professor itinerante; entre suas especialidades destacava-se entendimento de leis e legislação bem como preparação de argumentos para debates. Suas habilidades eram tão exaltadas que foi convidado pelo governante Péricles para escrever a constituição de uma colônia do estado de Atenas. Diferente de outros filósofos gregos, não despendeu esforço no entendimento dos cosmos tão pouco na construção de uma religião ou pensamento espiritual para a época. Seu principal argumento era de que a subjetividade do tema era tão grande que qualquer argumento proposto poderia ser facilmente entendido como válido o que reforçou seu ponto de vista agnóstico.
       

        Protágoras direcionou seus estudos para o comportamento, matemática, política e principalmente legislação; em um período onde a cidade de Atenas vivia sua Idade do Ouro – com riqueza cultural e científica, além da inovadora implantação de uma democracia e um rascunho do estado de direito. Seu conhecimento em legislação e debates foi essencial para garantir a ampla defesa de condenados, criando assim o papel do jurista, inexistente até então. 

        Relativista ao extremo foi o primeiro pensador a colocar o homem como centro de todas as coisas e denegrir qualquer definição que apontasse uma fonte absoluta que pudesse ser utilizado como parâmetro à sociedade; para Protágoras não existia o certo ou errado, o bom ou mal, apenas pontos de vista distintos de pessoas distintas para um mesmo problema, e em um debate, sairia vitorioso quem tivesse a argumentação mais forte. Desde as perguntas simples como as relacionadas ao clima: hoje está frio ou quente? Até as mais complexas referentes ao comportamento social: é correto matar? Possuem várias respostas dependendo do ponto de vista e contexto de quem participa da ação.

        Dificilmente não teríamos uma sociedade nos moldes de hoje com um pensamento agnóstico como o argumentado por Protágoras, onde cada homem teria sua própria lei. Contudo seu pensamento simples e objetivo vislumbraram há milhares de anos como seria o mundo de hoje, e sua redação e oração convincentes ajudou-o a influenciar o mundo na direção que havia visualizado; ou seja, sociedades independentes que criam suas próprias leis e, portanto, seu conceito de certo ou errado, do bem e do mal; ao seguirmos apenas leis que definidos nos colocamos como o centro do universo. 

        A sociedade de hoje não é nada senão um conjunto de homens que seguem leis e comportamentos definidos em consenso por antepassados e que continua se perdurando há anos. Assim como no filme Matrix, o homem é limitado através de uma cultura que é cultivada em sua mente desde seu nascimento. Quem disse que é preciso alta tecnologia para transformar o homem em uma pilha ou bateria?

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