Diógenes de Sínope (404 a.c. – 323 a.c.)

Tem mais quem se satisfaz com o mínimo.

“Na casa de um rico não há lugar para se cuspir, a não ser em sua cara.” [Diogénes]

        Idealista nascido em Sínope, colônia grega na Turquia, foi exilado e teve uma vida de pobreza extrema, escolhida espontaneamente. Por ter passado seus dias em Atenas morando dentro de um barril velho, vestido com trapos, tendo como bem apenas um bastão e um caneco, e como companhia os cães; foi rotulado como louco pelos filósofos da época. Diz a lenda que foi capturado por piratas e vendido como escravo, tornando-se empregado de seu futuro comprador que reconheceu nele sua intelectualidade e conhecimento; colocando-o posteriormente para cuidar dos negócios.
       

        Diógenes não se preocupava com pensamentos inovadores, teorias abstratas, modelos políticos ou sistemas legislativos; em sua concepção os homens criavam regras, sentimentos e costumes por demais; definições estas que apenas tornavam a vida mais complexa além de dificultar o alcance da felicidade. 

        Defendia que uma vida livre de regras e governada por impulsos naturais seria o caminho mais simples para alcançar a felicidade; utilizando sempre como exemplos os cães que tinham uma vida plena sem precisar de democracia, dinheiro, regras de etiqueta social ou estilos de vida a serem perseguidos. Sua refutação por pessoas com muitos bens era tão alta que volta e meia era percebido com uma lamparina em plena luz do dia para facilitar à busca por um rico honesto. 

        Muito provavelmente Atenas estava colhendo os frutos de sua idade dourada além de desfrutar de um grande período de paz e conquista estabelecido por Alexandre o Grande; períodos como este proporcionam grandes riquezas a um conjunto limitado de pessoas, com a riqueza vêm à desigualdade e individualismo que muito provável incomodavam o idealista. 

        Diógenes pode até ser considerado louco, contudo tratava-se de um louco convicto, suas teorias apesar de extremistas e exageradas não deixam de ser infundadas; animais de todas espécies vivem em coletividade sem qualquer regra social, obedecendo apenas seus impulsos naturais e anseios; tudo isso em considerável harmonia; única exceção à regra é o ser humano. De seu estilo de vida rendeu a palavra Cínico – que significa viver como um cão. Cuidado, portanto, ao chamar alguém de cínico com a conotação de mau caráter; já que cachorros não escravizam, enganam nem corrompem uns aos outros; muito pelo contrário, estes sim são o verdadeiro amigo do Homem.

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