Michel de Montaigne (1533 – 1592)

A fama e a tranquilidade nunca podem ser companheiras.

“O contágio é muito perigoso nas multidões. Ou você imita o perverso ou o odeia.” [Michel de Montaigne]

        Estudioso nascido em um Castelo de sua rica família próximo a Bordeaux, foi enviado ainda recém-nascido à moradia de camponeses onde viveu até os três anos de idade; estratégia de seu pai para que conhecesse o sofrimento e infortúnio dos pobres, pelos quais deveria se dedicar como futuro governante da província de Montaigne. Estudou direito tornando-se magistrado, trabalhou 13 anos no parlamento local, dedicando a escrever ensaios após herdar a riqueza da família, exercendo poucos anos antes de sua morte o cargo de prefeito de Bordeaux por quatro anos.
       

        Michel de Montaigne foi um dos estudiosos comportamentais mais ético e imparcial que existiu, sua independência financeira e dedicação aos assuntos de interesse apenas, permitiram-lhe aprofundamento e textos transparentes sobre o comportamento humano. Vivenciando o massacre de São Bartolomeu onde a Coroa Francesa católica, ordenou um massacre que culminou na morte de 30.000 a 100.000 franceses protestantes; dedicou parte de seu estudo a psicologia e comportamento de massas onde concluiu que multidões são facilmente conduzidas quando comparado a pessoas individualmente. Já naquela época chegou à conclusão que as pessoas procuram a aprovação e fama pelo acúmulo de riquezas e posses, aprovação esta inútil, pois grande parte das pessoas possuem uma fortuna herdada ou conseguida com a ajuda da sorte; ou seja sem glória individual alguma. 

        Defendia a ideia de que pessoas que se importam com a opinião alheia são mais fáceis de se corromper, e nos aconselhou a criar uma entidade imaginária de extrema nobreza e virtude à qual deveríamos nos preocupar e agradar nos nossos momentos mais íntimos. Concluiu que a tranquilidade do Homem depende do desprendimento da opinião dos outros, portanto pessoas que buscam glória e aprovação aos olhos alheios vão estar em constante busca de opiniões favoráveis, o que os impede de ser feliz; na busca pela fama apenas braços e pernas estarão em destaque, todo o resto do corpo estaria comprometido.

        Em seus ensaios, o escritor nunca foi moralista, e nunca descreveu seus pensamentos como um modelo ou doutrina para direcionar a vida; seus textos eram resultados de reflexões e filosofia de sua experiência de vida. O próprio afirmou que nenhum Homem precisa renunciar a sua riqueza e bens; basta desprender desta de modo que possa desfrutá-la, antes que o patrimônio ou o anseio pelo acúmulo dele venha a escravizá-lo. Por ser herdeiro de grande fortuna, foi um estudioso com grande capacidade de projetar sua pessoa no comportamento de seus semelhantes e analisá-lo racionalmente, habilidade que poucos possuem e é essencial ainda nos dias de hoje.

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