Nicolau de Cusa (1401 – 1464)

Deus é o não outro.

“O que conheço não é Deus e o que concebo não é parecido com Deus.” [Nicolau de Cusa]
        Teólogo e Jurista nascido em Cusa, no sul da Alemanha; cresceu em uma família simples de barqueiros cujos ganhos proviam do transporte de mercadorias. Estudou direito e teologia tornando-se secretário do alto escalão da igreja católica, foi nomeado bispo e cardeal, posteriormente se envolvendo na atividade da Contra Reforma proposta como resposta ao movimento protestante da época.
       
        Nicolau concordava com a teoria de que aprendíamos através dos sentidos limitados e extrapolávamos nossos conhecimentos através do intelecto inato, contudo não poderíamos utilizá-los para entender, descrever ou conceber Deus. Era época de debates onde se concentrou no entendimento e formalização do que seria algo Divino, contudo para o teólogo Deus já existia antes de tudo, e portanto, era algo impensável para nossos sentidos e inalcançável por nosso intelecto – Deus era o não outro. 
 
        Devido seu estudo e conhecimento jurídico também foi responsável por intermediar conflitos de vários propósitos e magnitude, foi responsável pela intermediação na trégua entre França e Inglaterra durante a guerra dos 100 anos além de patrocinador da contra reforma da igreja católica, onde pregava a Universalidade da religião aceitando a sua diversidade. Aventurou-se na ciência da época devido ao convívio com grandes pensadores como Da Vinci e Toscanelli onde defendeu que a Terra não seria o centro do Universo, atacou o Geocentrismo explicando que nada poderia ser o centro de algo infinito; recebeu créditos até mesmo por participar na criação de lentes côncavas para tratar a miopia.
 
        Nicolau viveu em um período de inflexão da Igreja Católica que estava perdendo seu poder para a esfera política de então dois novos países emergentes – Inglaterra e França. Somado a este novo poder político viu o nascer de uma discordância maior entre o Catolicismo Ocidental e o Oriental Ortodoxo além de uma iminente divisão entre os próprios católicos ocidentais, ocasionado por regras rígidas e tradições com perda de credibilidade. 

        Apesar de humilde e não moralista foi pioneiro ao proibir a cobrança por confissões, o que lhe rendeu grande apoio popular; foi também Nicolau quem trouxe a ideia de que a Igreja deveria ser governada por uma cúpula e não apenas na unicidade do Papa, teoria que lhe rendeu várias explicações ao Pontífice, onde alegou principalmente que o poder único e centralizado traz exclusão de minorias e aumenta as divergências.
 

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