Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778)

A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada.

“O Homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado.” [Rousseau]

“Só se é curioso na proporção de quando se é instruído.” [Rousseau]

        Filósofo nascido em Genebra na Suíça perdeu seus pais ainda criança e foi criado por um tio; oriundo de uma família Calvinista converteu ao Catolicismo em Paris, onde trabalhava como funcionário público. Interessou-se por filosofia ao conhecer os produtores da primeira Enciclopédia e dedicou a discutir o sistema político de sua época; suas obras foram proibidas e uma ordem de prisão decretada por suas visões controvérsias, fugiu para a Inglaterra e retornou à França com um nome falso até receber a anistia, lá viveu até morrer aos 66 anos.
       

        Rousseau viveu durante o Iluminismo, num crescente debate da utilidade do estado e da Igreja, o que o encorajou a retratar seus pensamentos políticos. Contudo ao contrário de todos outros filósofos criticou a busca incessante pela ciência e a razão, esta estaria corrompendo e corroendo a moral das pessoas ao invés de trazer benefícios sociais. Atacou também os filósofos que defendiam o homem como egoísta, selvagem e injusto por natureza alegando que tais comportamentos eram atributos do homem civilizado; para o Filósofo o Homem nasce cheio de compaixão, ingênuo, livre e independente, contudo ao ser submetido a um sistema de leis – que se iniciou exclusivamente para proteger a propriedade privada e desfavorecer os necessitados – se torna injusto, mesquinho, artificial e acorrentado. 

        Continuou seu raciocínio defendendo que um poder legislativo deveria ser criado pelo povo, ser revisto pelo povo e ser alterado pelo povo, só assim teríamos um sentimento de participação no progresso da nação. Por fim, defendeu que o Homem deveria ser primeiramente educado em seus sentidos e seu coração antes de se preocupar em educar sua cabeça e seu intelecto.

        Os pensamentos de Rousseau foram base do discurso durante a Revolução Francesa que resultou no fim da Monarquia e na Instalação de um Parlamento Representativo formado pelos comerciantes detentores de capital e propriedades da época, o que não trouxe a mudança pregada pelo Filósofo, mas apenas um ajuste de quem daria as novas cartas no jogo do poder. As Leis de Propriedade possuem força e grande apoio, no entanto estas foram criadas por proprietários ricos para se proteger de possíveis distúrbios sociais que poderiam ocorrer em um futuro – assim como a batalha de Lincoln para inserir a Emenda da Abolição na Constituição Americana, sabe-se que uma lei que não está na amplitude da constituição é mais difícil de ser superada e revisada. 

        Se pararmos para pensar, nascemos de fato livres e somos aprisionados em Leis que seguem a inércia de uma sociedade de tempos atrás as quais nem sempre estamos em comum acordo, adicionalmente possuímos capacidade produtiva e intelectual bem maior que a de séculos anteriores. A emancipação de nossos anseios está na mão do Legislativo Representativo que vêm se perpetuando, raro algumas exceções, desde mais de 300 anos atrás. Ao ser registrado no cartório como cidadão, você recebe de presente a constituição (ou corrente) de seu país; criada por burgueses, coronéis e políticos interessados em proteger seus patrimônios herdados. 

2 comentários em “Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778)

  1. Até onde entendi das obras de Rousseau, ele não adrentra ao modo como a sociedade deve ser regida, mas sim, ao modo como o homem deve se portar perante as “regras da sociedade”.
    A não ser que eu não boiei muito, ele prega um tipo de alteração no modo como as leis/constituição são construídas, mantidas e alteradas. O mesmo não pode ser dito sobre a regimento da sociedade, do capital social e até mesmo do comportamento do dos governantes ou das “necessidades do Homem”, certo?

    Acho que está na hora de reler a respeito, já faz muito tempo que li… hehehe

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  2. Thiago, acho que tu está certo. A visão política dele era a de crítica ao “contrato social” que denigre a liberdade do homem. Uma analogia seria dizer que não devemos aceitar leis e costumes que nos causem mal estar.Seu entendimento de que o homem virtuoso procuraria uma “vontade geral” que é maior que apenas seu bem-estar e traga ganhos para a todos rendeu-lhe o rótulo de romântico.

    Tenho um texto sobre o rousseau na política também, num futuro próximo coloco ele 🙂

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