Ludwig Andreas Feuerbach (1804 – 1872)

Teologia é Antropologia.

“A situação material em que o Homem vive é o que o cria.” [Feuerbach]

        Filósofo nascido em Landshut na Alemanha foi aluno de Hedel em Berlim após abandonar a faculdade de Teologia – um desejo de seu pai, renomado jurista de sua época. Lançou a obra a “Essência do Cristianismo” que aborda Deus como história das ações dos Seres Humanos. Morreu em Rechenberg aos 68 anos após o declínio da fábrica de porcelana que comandava com sua mulher e ver suas obras influenciar Marx.
       

        Feuerback foi um grande contestador do Cristianismo e do comportamento religioso humano; primeiramente condenou a imortalidade do Homem argumentando que somos absorvidos pela natureza após nossa morte e nada mais. O Filósofo foi além ao analisar a essência do Cristianismo através do comportamento humano e não pelo questionamento da existência de Deus, concluiu que a Religião existia não pela razão, mas pela necessidade do Homem de projetar características divinas como sabedoria, benevolência, justiça, ética e amor em uma entidade Divina. 

        Criticou o modelo em que necessitamos estar com Deus para também alcançarmos as virtudes divinas alegando que o homem pode até dar um cunho divino a religião, contudo esta não pode tornar o homem divino. Reforçou sua teoria, mostrando que não criamos Deuses com qualidades ruins, já que o Homem não busca qualidades ruins para si mesmo; mostrou que no início de nossa História cultuávamos um Deus material – seja em entidades da Natureza, Imagens ou Esculturas – contudo estes se tornam obsoletos cada vez mais rápidos com o avanço da Ciência e por isso utilizamos nossa imaginação para criar um divino sobrenatural. Sua angústia contra a religião não era apenas pelo poder que ela representava, mas em acreditar que esta afastava o Homem em buscar suas virtudes; focando apenas em projetá-las em Deus, finalizou afirmando que Deus nasceu do anseio do ser humano em atingir o que é de melhor na Humanidade, portanto para entender Deus temos que estudar Antropologia e não Teologia.

        Desde a emancipação da Ciência que a Religião tornou-se um assunto polêmico, é natural do Homem raciocinar sobre o que lhe é ensinado, e esta é uma consciência que talvez falte as Igrejas atualmente; se podemos contestar uma teoria porque não contestar os dogmas Religiosos? Feurbech inovou ao debater a Religião e foi bem sucedido. Não estar em vínculo com uma Religião ou não acreditar em seu modelo de Deus, não significa estar contra ou não crer em algo divino. 

        Todas as religiões existentes hoje nada mais são que caminhos distintos para um único objetivo: encontrar um mundo melhor em Deus; cada ser humano escolhe seus dogmas buscando a forma mais simples de encontrar sua Paz. Como citou José Saramago sobre o Modelo de Deus de grande parte das religiões que conhecemos hoje – “Deus não precisa do Homem para nada, exceto para ser Deus. Cada Homem que morre é um pouco de Deus que se vai e quando o último Homem morrer, Deus nunca mais ressuscitará”.

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