Karl Marx (1818 – 1883)

A história de toda sociedade existente até hoje, é a história da luta de classes.

“As ideias dominantes de cada época sempre foram as ideias de sua classe dominante.” [Karl Marx]

“A abolição da religião como felicidade ilusória do povo é necessária para a felicidade real.” [Karl Marx]

        Filósofo nascido em Trier na Alemanha foi o segundo de nove filhos de um advogado Judeu que se converteu ao cristianismo devido às restrições impostas para assumir a cargos públicos. Estudou direito na Universidade de Bonn, além de ter participação ativa na Universidade de Berlim. Trabalhou como Jornalista e foi exilado na Bélgica e França devido a sua simpatia pela democracia. Desenvolveu o sistema Comunista juntamente com Frederick Engels; retornou a Alemanha durante as revoluções de 1848/1849 que massacradas o levaram ao exílio em Londres onde morreu vivendo em pobreza.
       

        Marx iniciou sua filosofia criticando os demais filósofos que se concentram em entender e interpretar o mundo ao invés de procurar mudá-lo. Em sua obra o “Manifesto Comunista”, dividiu o mundo em duas classes: o proprietário detentor do capital e o proletariado vendedor de sua mão de obra; apesar de distintas, ambas as classes eram o resultado da descoberta de novas colônias e integração entre os povos da Terra que resultaram em grande demanda de comércio e novos produtos. Era um ávido crítico da burguesia, detentora do capital, por ter resumido o Ser Humano a dinheiro; para esta classe não existe arte, religião, sentimento ou conhecimento, são todos trabalhadores assalariados à serem adquiridos com a moeda corrente. 

        Alegava também que esta mesma burguesia era a responsável por trocar o direito do Homem pela liberdade irracional do livre comércio; propôs como solução o compartilhamento de todo bem – terras, ferramentas, matéria prima, unidades fabris – para que todo cidadão produzisse de acordo com sua capacidade e consumisse de acordo com sua necessidade. Influenciado por Feurbach, criticou a religião não apenas por alienar as pessoas à um Deus por eles mesmo criado, mas também por buscar a este Deus baseando-se em itens materiais de seu cotidiano; acreditava que o fim da religião era essencial para um mundo melhor, contudo não acreditava no fim desta como única medida de aperfeiçoamento da sociedade.

        Em sua obra “O Capital”, abordou o sistema capitalista existente na época; citou todo comportamento de uma época como regido pelo sistema que fora moldado por uma classe dominante que restringia as pessoas a viverem em grupos sociais de acordo com sua especialização e renda. Citou que o sistema capitalista não é apenas explorador, mas instável e que exige para sua perpetuação crises cada vez mais pesadas aplicadas ao trabalhador assalariado. 

        Vislumbrou que a queda do Capitalismo ocorreria numa implosão quando as crises resultassem em tamanha desigualdade que não restaria outra opção que não a revolução pelo compartilhamento de todos os recursos; o resultado desta revolução seria uma ditadura proletariado com democracia genuína e posterior morte política; já que um mundo igual, livre e sem criminalidade não requer a presença de um Estado. Argumentou que o sistema político representativo nada mais é que um veículo para controlar e defender os interesses da classe dominante; nos mesmos moldes que os soldados defendiam Reis ou Imperadores e as religiões defendiam seus sacerdotes.

        No início da carreira, Marx não viu suas obras terem a influência desejada, contudo estas ganharam grande notoriedade durante a “Primavera dos Povos”, período em que toda Europa passou por grandes revoluções devido à pobreza e miséria da população urbana. No século XX viu seu Manifesto Comunista alimentar a revolução Russa e Chinesa que foi da glória ao fracasso ao exemplificar como um novo sistema político teórico pode ir da glória ao caos através da mesquinharia e corrupção humana. Foi criticado por muitos autores, primeiro por sua ingenuidade em acreditar numa classe proletariada virtuosa e incorruptível, além de não ter vislumbrado as possíveis ameaças ao seu Comunismo.

        Karl Marx foi, sem sombra de dúvida, um dos grandes pensadores de nossa História; sua capacidade de perceber as movimentações sociais, bem como os jogos de poder foi ímpar. Ao creditar toda grande mudança no modelo social da Humanidade como consequência de guerra entre classes sociais foi certeiro; contudo sua aversão ao Capitalismo o cegou ao defender um Comunismo perfeito onde a intervenção do Homem seria apenas benéfica; Marx não percebeu na “Riqueza das Nações” de Adam Smith, que o mundo capitalista também seria quase perfeito se toda sua riqueza produzida fosse utilizada para cobrir as exclusões sociais ou imperfeições do Sistema. 

        O Capitalismo não venceu o Comunismo, o ideal de Marx foi implantado e vai existir eternamente; e bem provável que em crises de níveis mais elevados pode levar toda uma sociedade a rever seus conceitos e instigar suas próprias necessidades e valores; muito menos o Comunismo se mostrou uma opção mais viável que o Capitalismo, pois em um mundo globalizado não basta existir a igualdade em apenas parte do globo terrestre. Não deveriam existir dúvidas de que o Comunismo é um Sistema mais avançado; contudo este Comunismo vencedor só existe no Paraíso onde um Deus benevolente, justo, amoroso, e com poder de criar recursos ilimitados manteria toda uma sociedade fazendo o que deseja e utilizando o que necessita em harmonia e sem competição entre si. Enquanto não conseguimos alcançar este sobrenatural devemos nos concentrar em como fazer do Capitalismo um Sistema menos desigual, compulsivo, apetitoso e capaz de valorizar algo mais que simplesmente o poder e o acumulo de bens.

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