Bertrand Russel (1872 – 1970)

O caminho para a felicidade está na redução organizada do trabalho.

“Um dano imenso é causado pela crença de que o trabalho é virtuoso.” [Russel]

“A moralidade do trabalho é a moralidade dos escravos, e o mundo moderno não precisa de escravos.” [Russel]

        Matemático nascido em Ravenscroft no País de Gales em uma família aristocrática; desde jovem mostrou grande interesse pela matemática, estudou em Cambridge onde também se interessou pela Filosofia. Sua obra Principia Mathematica lhe conferiu respeito e visibilidade o que o ajudou a expor suas ideias sobre ativismo, pacifismo, educação, artes além de ensaios filosóficos. Recebeu o prêmio nobel da Literatura em 1950, morrendo de gripe em 1970 aos 97 anos.
       

        Russel, como filósofo, foi um dos maiores críticos do modelo trabalhista existente; ele próprio um trabalhador árduo na sua área, publicou centenas de obras; uma delas foi o ensaio “O elogio ao Ócio”, que publicado durante a grande depressão de 1932, num período onde muitos países amargavam taxas de desemprego de até 30%, defendia que o Homem deveria ter jornadas de trabalhos mais reduzidas. Criticou também muitas das superstições que são cultivadas conosco com relação ao trabalho, sendo que muitas delas podem ser extintas com pouquíssimo raciocínio lógico. 

        Definiu o trabalho como sendo de dois tipos: o primeiro consiste em mover a matéria, enquanto segundo consiste em dizer que matéria mover e monitorar este movimento; enquanto o primeiro trabalho é operacional, geralmente desagradável e mal remunerado, o segundo é prazeroso e bem remunerado; reforçou também que o trabalho operacional é finito, pois a quantidade de matéria existente ou consumida é limitada; já o trabalho gerencial é infinito permitindo a criação de postos como supervisor do trabalhador, o gerente do supervisor, o diretor do gerente, o presidente do diretor, o conselheiro do presidente e até mesmo o supervisor do conselheiro assim ilimitadamente. 

        Defendeu um mundo dividido em três classes, a primeira era a classe operária composta por quem realiza o trabalho operacional, a segunda é a classe média composta pelos supervisores e por fim temos a classe operária ociosa que evita o trabalho e depende de trabalhadores para manter seu ócio; ironicamente é esta mesma classe quem mais exalta as virtudes em ser um trabalhador honesto e com excelência, dando um cunho moral a algo injusto que é perpetuado por nossa aceitação, legitimando cada dia mais esta opressão. Atribuiu também ao nosso modelo a classificação de trabalhos em menos virtuosos, os braçais, e mais virtuosos, os mentais, levando a relacionar desemprego a falta de inteligência; citou que uma redução da jornada nos traria mais tempo para exercer a criatividade, cultivar o lazer que é essencial para uma vida rica e significativa, além de nos permitir dedicar a arte, educação, política e até mesmo ajudar a melhorar a qualidade de vida dos menos afortunados.

        A crítica realizada por Russel foi realizada há quase 100 anos atrás, não obstante, pode ser enquadrada em qualquer período da história da Humanidade, inclusive hoje. Sempre existiu a classe que trabalha noite e dia para ter o suficiente, enquanto o excedente de seu trabalho é apossado seja por guerreiros, religiosos, estadistas ou qualquer outra classe dominante. 

        Nos grandes centros, onde vive grande parte da população de qualquer país, é comum encontrar pessoas cuja toda vida é dedicada ao trabalho; restando apenas parte do final de semana livre, consumido em repouso para renovar as energias para uma nova semana de labuta. Pessoas que vivem assim não produzem criatividade, elas produzem matéria e o excedente é apropriado; uma revolução inovadora e criativa não pode ser realizada com movimentação de matéria, é essencial a riqueza cultural, liberdade mental, e tempo para a criação.

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