Jean-Francois Lyotard (1924 – 1998)

O conhecimento é produzido para ser vendido.

“O conhecimento científico é mais um tipo de discurso.” [Jean-Francois Lyotard]

        Filósofo nascido em Versalhes na França; estudou literatura e filosofia em Sorbonne na cidade de Paris; foi professor por anos na França e Argélia até envolver-se e decepcionar-se com a política de esquerda, principalmente com a metanarrativa do marxismo. Passou o resto da vida lecionando Filosofia em vários países do mundo até morrer de Leucemia em 1998.
       

        Em sua obra “Condição Pós-Moderna” o autor define o pós-modernismo como a incredulidade por qualquer metanarrativa existente, ou seja, qualquer teoria, definição ou conhecimento que tente simplificar e agrupar o conhecimento, história ou espiritualidade como uma única fonte de verdade deve ser repelido e questionado. Ressaltou a necessidade de um questionamento ainda maior à ciência; está sendo definida como uma nova “religião” de intelectuais, que vem ganhando força com o tempo, não pelo que proporciona de grandiosidade mas sim por sua capacidade de venda e autopromoção. 

        Criticou o caminho seguido pela ciência que estava sendo empacotada em produtos a serem comercializados, sendo, portanto, analisada não pela sua grandiosidade ou veracidade e sim pela sua viabilidade comercial. Francois ressaltou que as grandes corporações não estão mais interessadas se o conhecimento produzido é importante, útil, ou verdadeiro, mas sim por quanto estes podem ser vendidos; com o advento da computação e a massificação do conhecimento em informações armazenada em base de dados, toda a ciência passaria a ser controlada pelas empresas para atingir suas metas financeiras.

        A visão do Filósofo foi inovadora e muito pertinente, sua obra que fora escrita em 1980, reflete muito da sociedade que vivemos hoje; onde a religião perde espaço para a ciência, como se a primeira fosse a “ignorante” da família enquanto a segunda o filho pródigo bem sucedido por seu mérito, inteligência e inventividade. A ciência hoje, é em muito banalizada; quem nunca viu um projeto ou ideia ser deixado por inviabilidade ou falta de aderência à um planejamento estratégico (diga-se de passagem financeiro) está praticamente em lua de mel com o conhecimento. 

        Ao passo que a ciência proporciona qualidade de vida, ela também produz armas; enquanto sacia a fome também mata o meio ambiente; à medida que nos elucida sobre a religiosidade, também nos cega como sendo a única grande opção. As corporações de hoje convergem o conhecimento em produtos comerciais à medida que as Universidades se desprendem de governos, devido às baixas verbas, para produzirem conhecimento comercial em conjunto com a iniciativa privada. A ciência, assim como a religião, é ideologicamente boa, mas pode ser desastrosa quando utilizada indevidamente. 

        Como podemos ter tantas conquistas e ainda ter pessoas passando fome, escravizada e excluída da sociedade como há séculos atrás? A ciência, assim como os partidos de esquerda, deve ser olhada ceticamente para evitar a desilusão, pois é imperfeita, manipuladora e defende interesses próprios daqueles que a dominam; você pode se identificar mais com ela, mas não a idealize como uma entidade totalmente virtuosa.

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