Noam Chomsky (1928 -)

Se escolhermos, podemos viver em um mundo de reconfortante ilusão.

“Os estados não são agentes morais, as pessoas o são.” [Noam Chomsky]

“A imprensa pode causar mais dano que uma bomba atômica, e deixar cicratrizes no cérebro.” [Noam Chomsky]

“A bíblia é um dos livros mais genocidas da história.” [Noam Chomsky]

 

        Linguista nascido na Filadélfia, EUA; foi criado em uma intelectualizada família judaica; estudou matemática, linguística e filosofia na Universidade da Pensilvânia. Sua obra “Estruturas Sintáticas” lhe rendeu o posto de maior linguista da atualidade, engajou-se no ativismo político como um dos maiores críticos da política externa norte-americana. Continua vivo, trabalhando como professor no MIT, além de ministrar palestras em linguística, filosofia, política e assuntos Internacionais. Chomsky já recebeu mais de 50 prêmios importantes e centenas de títulos honorários, inclusive das principais universidades do mundo.

       

        Chomsky ficou famoso como linguista em 1957, onde se aprofundou no estudo da linguagem e criou a teoria de que o todo Ser Humano nasce com a habilidade inata de se comunicar; esta comunicação possuía um padrão ou forma básica, e através dela era possível entender todas as línguas faladas no mundo. Nasceu então a Hierarquia de Chomsky, ao dividir a linguagem nas camadas sintática e léxica, permitiu a criação de linguagens artificiais que se tornaram hoje a base de qualquer software desenvolvido. Foi também de seus estudos que nasceram as expressões regulares ou descrições formais nas quais linguagens podem ser reduzidas a um conjunto de símbolos.

 
        Na Psicologia foi um crítico da vertente Comportamentalista iniciada por Skinner, onde a linguagem era aprendida pela observação e estímulos do ambiente. Os trabalhos de Chomsky sobre a linguagem mudaram a psicologia cognitiva, já que com sua nova abordagem novos métodos deveriam ser abordados para facilitar a memorização, atenção e percepção.
 
        No ativismo, foi um árduo crítico da política internacional norte americana, escreveu diversas obras com análise profunda onde demonstrou através de documentos oficiais a inconsistência entre as alegações de um estado e o poder exercido por este. Defendeu que a população não desse crédito a algumas informações repassadas pelo governo, e que exigisse das governantes evidências sustentadas de sua política; foi além ao afirmar que uma população deve entender e acompanhar como opera um estado não apenas com retóricas, mas examinando sua história, estruturas institucionais e seus documentos oficiais, segundo o Filósofo, tal tarefa não é complexa visto que muitos documentos são abertos ao público. Divulgou o Princípio da Universalidade, onde se tinha a máxima “faça para outros o que faria para si mesmo” e ressaltou que devemos ser cuidadosos às nossas condenações pois o Ser Humano possui maior inclinação em condenar a atitude dos outros do que as próprias.
 
        Noam Chomsky, foi um dos poucos Judeus a criticar o Estado de Israel, alegou que o desejo Sionista era de um lar seguro para os Judeus dentro da Palestina; e não um estado expansionista vivendo em constante estado de guerra. Com a definição de Terrorismo como sendo ato hostil utilizado para matar civis e amedrontar uma população; criticou a “Guerra ao Terror” como política norte americana, em sua percepção, o terrorismo realizado por grupos marginais políticos era mínimo se comparado ao terrorismo cometido pelos estados legais durante períodos de guerra. 

        Entre o terrorismo praticado pelos EUA, foram provados através de documentos oficiais os golpes militares em países da América Latina inclusive o Brasil, as guerras na Ásia inclusive a Guerra do Vietnã além do tráfico de armas para a África do Sul durante o “Apartheid” por intermédio do estado de Israel. Resumiu a política externa estadunidense com a frase “o perigo do bom exemplo”; onde todo país pode se desenvolver, desde que em sua sistemática inclua o capitalismo ou uma parceria com os EUA e seu conjunto de corporações; qualquer modelo à parte é passível de intervenção armada. Apesar de grande crítico da política externa de seu país, ressalta o alto nível de liberdade de expressão, que segundo o autor, é muito maior que em vários países desenvolvidos.
 
        Chomsky também se empenhou em entender o funcionamento dos meios de comunicação em massa, principalmente o norte americano; resumiu-os como uma extensão do governo para angariar apoio de seu interesse, em sua obra “A manipulação do público” resumiu que a propaganda está para a democracia assim como o cassetete está para o totalitarismo. Sintetizou o uso da mídia pelo governo em dez estratégias intituladas “Armas Silenciosas para Guerras Tranquilas”:
 
  1. Primeiramente, utiliza-se a mídia para inundar o público com informações sem relevância ou insignificantes, nesta Estratégia de distração consegue-se manter o público alheio a problemas sociais e econômicos para que estes sejam resolvidos apenas pelos detentores do poder;
  2. Segundo, o estado cria ou superdimensiona problemasjá existentes, como por exemplo, a violência urbana, para posteriormente prover soluções, como por exemplo, maior autonomia a uma polícia armada, que apoiadas pela população trazem a sensação de coparticipação no governo;
  3. Terceiro, o estado utiliza a mídia para aos poucos contextualizar a população a novas ideias, como numa estratégia da gradaçãoonde medidas inaceitáveis como, por exemplo, a privatização de rodovias seja realizada sem compensação alguma por parte do estado;
  4. Quarto, convencer o público que algumas medidas impopulares são dolorosas, porém necessárias, nesta estratégia do deferido novos impostos são propostos no longo prazo para aliviar a dor momentânea deixando-a para o futuro já que grande parte da população tende a se manter ingenuamente esperançoso que o amanhã poderá ser melhor;
  5. Quinto, o estado utiliza a mídia para conversar com entonações que beira a imbecilidade, dirigindo ao público como crianças de baixa idade ao invés de abordar os assuntos em sua completude, obtém-se como reação um comportamento também infantil de aceitação;
  6. Sexto, o estado não conversa com o público de maneira racional, ao utilizar o aspecto emocional muito mais do que a reflexão na discussão de assuntos, consegue-se evitar a contraposição e acesso direto ao inconsciente; é como conseguir o apoio de um país inteiro a gastar bilhões em um torneio esportivo porque somos o país do futebol;
  7. Sétimo, não é papel do estado incentivar a cultura, o debate socioeconômico, o ideal é bombardear crianças com estudos massivos e de pouca utilidade para grande parte da população, mantendo o público na ignorância e mediocridade, deixando o acesso ao conhecimento a poucos;
  8. Oitavo, o estado deve mostrar ao público que uma vida feliz é aquela em que se aproveita ela ao máximo, estimulando o público a ser complacente na mediocridade encontrando sua grandeza nas tendências comerciais, na vulgaridade e na falta de cultura;
  9. Nono, o estado deve provar ao público que o mesmo está em constante expansão e que muitos estão se aproveitando destes bons momentos; e que as pessoas que não estão se saindo bem são incompetentes ou insuficientes; reforçando a revolta pela auto culpabilidade mantêm-se as pessoas com uma baixa estima que as impede de criticar as barreiras impostas pelos estados;
  10. Décimo, utilizar da ciência, principalmente a psicologia e a biologia para compreender a essência do comportamento humano, conhecendo-nos melhor do que nós mesmos, o estado pode usar a propaganda para exercer maior poder de influência em nossas percepções e crenças do que nossos próprios familiares ou comunidade.

        Noam Chomsky continua sendo um dos principais intelectuais da atualidade, sua abordagem moderna, onde nos estimula a dedicar parte de nossa vida para acompanhar e monitorar o estado; afirmando que tal gerenciamento com certeza traz benefícios imensuráveis para toda uma nação. Apesar de muitas de suas teses soar como verdadeiras teorias da conspiração, o filósofo faz uma análise crítica e fundamentada de todos os assuntos, sua análise da mídia não precisa ser acreditada completamente, contudo é muito válida para nos mostrar que muitas das informações recebidas cotidianamente e gratuitamente devem ser questionadas e revisadas. 

        O ativista também nos mostra que é sim possível instigar o estado e continuar seguindo numa vida saudável e com cultura, basta dedicarmos algum tempo de nossos dias para nos informar, conhecer e debater os assuntos com outros colegas de nosso círculo de amizade.

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