A Função da Moeda (1300 d.c.)

Não é preciso escambo quanto se têm dinheiro.

“Em qualquer país em que o talento e a virtude não produzam progresso, o dinheiro será a divindade nacional.” [Denis Diderot]

        A moeda ou dinheiro é uma invenção de alcance mundial; é raro nos dias de hoje, encontrar qualquer sociedade que não faça uso em abundância do dinheiro. Apesar de não citado por Darwin, a invenção do dinheiro fez parte da evolução humana, e sem ele provavelmente não seríamos o que somos hoje – uma espécie de mais 7 bilhões consumindo sem oposição ou barreira alguma os recursos do planeta.
       

        O dinheiro como conhecemos foi primeiramente utilizado pelos Mongóis no século X, contudo o uso de uma moeda para troca de mercadorias nasceu em centenas de comunidades independentes no Globo, cada qual utilizando um recurso natural para representar um valor; a necessidade comum era facilitar as transações de comércio para que todos pudessem usufruir de diversos produtos. É creditado a moeda o desenvolvimento da indústria, agricultura, pecuária além da melhoria na qualidade de vida de milhares de cidadãos; fora colocado um fim na necessidade do escambo o que possibilitou a especialização da mão de obra. Passaria a ser possível comprar produtos e serviços sem a necessidade de permuta por uma necessidade comum de ambas as partes; assim um Pai de família poderia adquirir leite mesmo que o Leiteiro não tivesse interesse algum em sua produção artesanal.

         Ao longo da História aprovamos o uso das Moedas-Mercadorias, modalidade onde o dinheiro era um bem real, como por exemplo o ouro (padrão ouro) e sua troca garantida pelo estado; contudo uma mudança surgiu com o fim da Segunda Guerra Mundial. Em uma Europa a ser reconstruída, a necessidade de importação de bens aliado aos EUA como única nação industrializada tornou-se inevitável a escolha do dólar como Moeda-Monetária de troca internacional. 

        Com a eleição de Richard Nixon, os EUA se viram atolados com custos de guerras e golpes de estados, todos financiados com a impressão não controlada de dólares americanos; o resultado foi que em 1968 a aprovação de uma desvalorização do ouro em 20% comparado ao dólar. Amedrontados por maiores desvalorizações, Charles de Gaulle (presidente Francês) decidiu trocar toda reserva em dólar de seu país por ouro; diante da dificuldade em atender esta grande demanda, sobretudo para não comprometer as reservas em ouro estadunidense, foi declarado então em 1971 e ratificada pelo FMI em 1973 a sanção em que o dólar americano não mais poderia ser trocado por ouro; o episódio conhecido como “Choque Nixon” foi o maior roubo da história de todas as nações. 

        Desde então convivemos com o uso das Moedas-Fiduciárias, onde o dinheiro não é atrelado a nenhum recurso em específico, o poder de compra e venda do dinheiro Fiduciário está na credibilidade dado a ele pela nação que o utiliza bem como na garantia da execução do comércio pelo Estado. É chocante imaginar que hoje, mais de 7 bilhões de pessoa trabalhem para receber algo, cujo único valor está num acordo de garantia na troca por produtos e serviços. O dinheiro, sinônimo de poder e riqueza para pessoas, famílias e nações é tão frágil quanto uma carta juramentada de amor eterno.

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