Serviços Financeiros (1397 – 1494 d.c.)

Dinheiro faz dinheiro.

“Banqueiro é o sujeito que lhe empresta o guarda-chuva quando faz Sol, mas pede de volta quando começa a chover.” [Mark Twain]

        Apesar dos empréstimos existirem desde 5.000 anos a.c., os serviços financeiros como conhecemos hoje é um produto direto da invenção do dinheiro, roubar uma carga de arroz exigia força e organização, agora roubar dinheiro que compre uma carga de arroz exige apenas agilidade. Iniciado na Itália no século XIV, teve como principal propulsor os portos de Veneza que davam acesso ao comércio Europa-Ásia.
       

        Em uma época onde o ganho através dos juros era um pecado com passagem direta ao Inferno, noticiar que o primeiro Banco nasceu na Itália controlada por Roma e a Igreja Católica, cria de certa forma um paradoxo. Aliás os Bancos nem sempre foram como são atualmente, o nome veio de início para representar uma mesa com cadeiras onde a família Medici realizava as negociações com mercantes; com a necessidade de câmbio entre Europa e Ásia, viu-se a possibilidade de ganho com a troca de Moedas além de assegurar a guarda do dinheiro dos comerciantes que preferiam não levar toda sua fortuna consigo além Mundo. Com o passar do tempo e o acumular de riquezas, nasceu o primeiro Banco de Financiamento, que ao contrário de cobrar juros apenas pelo dinheiro, cobrava-se um rateio do ganho no investimento realizado com o dinheiro financiado; a Igreja, claro, recebeu sua parte e afirmou que tal prática não era pecado. 

        Palazzo Medici não apenas foi o inventor do primeiro Banco como foi um pioneiro fundador das Corporações, expandiu sua marca em mais de 11 cidades em um negócio descentralizado onde cada sócio era responsável por uma filial cujos lucros eram compartilhados com a Matriz; assim atingiu os três pilares da instituição bancaria de sucesso: distribuição geográfica para minimizar riscos, economia de escala para diminuir custos e criação de ativos de curto e longo prazo para controle do fluxo de caixa. Devido aos grandes riscos e possibilidade de falência que se situa o setor bancário ao emprestar dinheiro a pessoas que podem não pagar, o que afeta diretamente a poupança nacional, toda instituição bancária é regulada e fiscalizado pelos respectivos Estados onde existem.

        Os banqueiros vivem hoje uma dicotomia, entre a mola propulsora de desenvolvimento das nações e ladrão sem alma que rouba de todos os setores produtivos; não importa qual a sua percepção, o fato é que estão ganhando dinheiro. De início todos os Bancos eram regulados a emprestar apenas o que tinham em caixa, hoje estes valores não chegam a 1%; se levarmos em conta a máxima de que a solidez de um Banco depende totalmente da sensatez com que realiza empréstimos chegaríamos facilmente a conclusão que os Bancos são instituições de extremo risco nos dias atuais. 

        Mas não nos preocupemos, sempre que um Banco quebrar o Estado reage simultaneamente, e lembre-se, isto não é para ajudar o banqueiro e sim a todos que possuem uma poupança na recém falida instituição, e o mais importante; se o mercado perder a confiança que um Banco tem em lidar com suas reservas, iniciando uma corrida aos saques não sobra pedra sobre pedra do que conhecemos hoje por sociedade, estado ou nação.

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