Teoria Quantitativa da Moeda (1530 – 1596 d.c.)

Dinheiro causa inflação.

“A abundância de ouro e prata neste reino é maior hoje do que foi nos últimos 400 anos.” [Jean Bodin]

        Durantes séculos, a Humanidade viveu sem conhecer o fenômeno da inflação, foi no Império Romano em 260 a.c. e posteriormente na Europa do século XVI onde observou-se um aumento no preço dos bens de consumo; o motivo foi inicialmente direcionado aos Imperadores e Reis, fanfarrões que estavam cunhando moedas reais com menos ouro ou metal de menor qualidade.
       

        Jean Bodin, estudioso Francês, indicou que o aumento dos preços estava relacionado com a quantidade de Ouro e Prata extraídos das colônias recém descobertas, o que aumentava a riqueza nas cidades europeias. Outros estudiosos estudaram o caso e concluíram que o aumento de preços refletia as moedas cunhadas pelo governo, o excesso de riquezas extraídas, a ganância de comerciantes e a falta de produtos; surgiu então a definição Valor Real – quanto vale o produto de fato – e o Valor Nominal – quanto se paga pelo produto consumido. 

        Maynard Kaynes, ressaltou que o excesso de riquezas sozinho não pode causar inflação já que parte do dinheiro pode ser acumulado como reserva, não sendo direcionado ao mercado, e por fim Milton Friedman defendeu que apenas um aumento de renda das pessoas poderia ser um agente causador da inflação. Atualmente vivemos a Flexibilização Quantitativa, que consiste no processo de imprimir dinheiro utilizado para comprar Títulos do Tesouro (Governo) ou Títulos Financeiros (Bancos), ambos recebem este dinheiro que pode ser utilizado legalmente para fomentar o crédito ou realizar grandes obras; em troca, se comprometem a devolver o montante com juros e correções no vencimento destes títulos.

        Teorias econômicas podem parecer algo difícil em um primeiro momento, mas são simples de exemplificar. Pense primeiramente, que um cafézinho em um bairro nobre é mais caro simplesmente porque o rico não se incomoda em pagar mais por algo que vale menos. Imagine também que a inflação é criada pelo Banco Central que abastece Estado e Bancos com dinheiro criado do nada; o Estado então financia obras gigantescas repassando o dinheiro para empresários enquanto os Bancos expandem o crédito para o cidadão que compra bens de empresários; mas como o governo pagaria o dinheiro emprestado com juros? Simples, desvaloriza-se a moeda diminuindo a dívida real e deixam o problema da inflação com aqueles que não obtiveram aumento de salário e observam seu poder de compra diminuir.

        Como diria Henrique Meireles, a inflação no longo prazo não é boa para ninguém (Bancos, Empresas, Governo e Cidadão); mas quem se importa com o longo prazo se eu posso fazer minha retirada Hoje? Claro, o cidadão tem sua parcela neste jogo, com a riqueza dos empréstimos em abundância nos tornamos ricos temporários e os novos compradores de cafézinho do bairro nobre; quem se importa em desperdiçar dinheiro se podemos pagar ele em suaves prestações enquanto desfrutamos os prazeres da vida contemporânea.

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