Empresas de Capital Aberto (1630 – 1699 d.C.)

Negociem as empresas.

“Um criminoso é uma pessoa com instintos predatórios sem capital suficiente para formar uma empresa.” [Roberto Campos]

        O Mercado de Ações sempre chamou atenção por sua complexidade e o sentimento de habilidade intelectual envolvido aos atuantes do mesmo. Contudo tudo começou da forma mais simples possível, ricos, detentores de capital se uniam criando fundos de investidores para o financiar as viagens marítimas que no vaivém transportavam os tesouros do comércio.
       

       De início, as grandes navegações eram apostas de Reis e Condes, corajosos empreendedores que apostavam suas fortunas (ou as de seus súditos) para financiar expedições ao além Mundo. Apesar dos vários descobrimentos realizados, o mercado da navegação envolvia grandes investimentos e ainda maiores riscos, foi então para solucionar este problema aliado a economia de dinheiro público que surgira as primeiras companhias abertas, cujos sócios financiavam diversas viagens diminuindo os riscos e compartilhavam os estoques comercializados. Surgiu então em 1599 a Companhia das Índias Orientais, primeira corporação aberta inglesa, com o aval do Rei, que se tornou um fenômenos com a participação de mais de 3 mil acionistas, £$ 3 milhões em ações, £$ 6 milhões em empréstimos atrelados a títulos futuros do governo; tendo como seu grande piloto o comerciante londrino Josiah Child, fomentou a criação de leis que protegia os acionistas exigindo-lhes responsabilidade apenas pelo dinheiro investido além da possibilidade de comerciar as cotas (ou ações) da corporação com outros interessados em fazer parte do corpo social da empresa.

        O Mercado de Ações contemporâneo, apesar de contar com derivativos, exercício de opções, aluguéis de cotas, da estratégica do swap reverso, todos negociados através de um Home Broker, seja numa alavancagem em um Day-Trade ou realizadas na espera de um gap com a aposta do After Market; podem no frigir dos ovos, serem resumidas as primeiras empresas de capital aberto surgidas em Londres. Acionistas criam empresas buscando maior rentabilidade de seu capital, elegem executivos que serão pressionados a extrair o máximo, alguns inclusive aprovando comportamentos ilegais para aumento dos lucros. Caso a empresa quebre ou seja processada por conduta inadequada os acionistas são eximidos de sua culpa, já que o corpo diretor-executivo é o principal responsável legalmente pela empresa; não obstante é garantido por lei a comercialização de ações com minoritários que não tendo posse de informações privilegiadas viram apenas mais um mercado a se abocanhar e realizar lucros além de dividir os riscos caso a empresa venha a perder caixa; esta “divisão” dos riscos é em geral realizada em vendas antecipadas das ações a preços melhores que os minoritários mal informados possam alcançar. Qualquer relação entre a Companhia das Índias Orientais, que envolvam acionistas minoritários esfolados, dívida com dinheiro público do Governo, não responsabilização por alavancagem, demissões de diretores, ocultação de informação com as empresas do grupo EBX é uma mera coincidência de 500 anos. 

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