O Fluxo Circular da Economia (1630 – 1699 d.C.)

Dinheiro e Bens circulam entre Produtores e Consumidores.

“Que a soma total das receitas volte anualmente a toda trajetória da circulação.” [François Quesnay]

“Um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo sua ciência; muda sim pela sua cultura.” [Herbert José de Souza (Betinho)]

        A Macroeconomia, economia como um todo, sempre existiu, mas nem sempre foi estudada e entendida; na França do século XVIII, François Quesnay foi o primeiro a acompanhar o fluxo do dinheiro, desde o aluguel das terras, o plantio dos agricultores e os produtos finais gerados pelos artesãos.
       

        Com o boom comercial entre Europa, Ásia e América a partir do século XV não restava dúvida alguma aos Mercantilistas –cuja percepção de uma nação saudável é aquela que comercializa –  proteger o mercado interno e estimular a produção de riqueza é essencial para gerar excedentes que seriam vendidos às nações menos afortunadas. Os Fisiocratas adotaram outra vertente de pensamento, apontavam que a riqueza real era única e provida pela terra, também fomentavam uma distribuição de renda adequada pois coloca todo dinheiro em circulação evitando a formação de grandes poupanças. Foi desenhado então um Quadro Econômico, que dividiu a sociedade entre: donos de terra, agricultores e artesãos; defendia-se que os agricultores eram os únicos geradores de riqueza pois produziam um excedente. Os donos de terra que ganham através dos aluguéis e gastam com luxúrias não trazem os mesmos benefícios macroeconômicos que trabalhadores que aumentam suas famílias ou os empreendedores que reinvestem o lucro incentivando a maior geração de excedentes pelos trabalhadores. Atualmente, apesar de um cenário macro mais complexo devido a globalização e industrialização temos uma economia de fluxo circular derivada da França do século XVIII; existem as pessoas que ganham dinheiro com suas posses ou aluguel do próprio capital, as que ganham dinheiro fomentando a produção e ficando com parte dela e por fim os que recebem uma parte dos excedentes que produzem; uma grande diferença está nas injeções e retiradas de capital virtual que são aplicadas de tempos em tempos na economia, seja para estimulá-la, seja para desacelerá-la. 

        O que os Fisiocratas apontaram a 400 anos atrás, é que mesmo sendo possível tornar-se rico ou acumular riqueza de várias formas, devemos nos atentar que a riqueza real (ou excedente) é uma só, e esta provém da natureza; quando uma riqueza natural é extraída a mesma deve ser colocada em circulação para que todos usufruam, caso opte-se por acumular, entra-se em um ciclo vicioso onde mais riqueza deve ser gerada (ou recursos naturais extraídos) para garantir melhoria na qualidade de vida. Válido ressaltar que os Fisiocratas não eram Comunistas, aliás o termo nem existia na época, pelo contrário, pregavam uma economia com intervenção mínima do Estado; a diferença para o pensamento mercantilista da época consistia na percepção de um limite real da riqueza e que a mesma deveria ser colocada em circulação para todos. Hoje existe a possibilidade de geração de riqueza a partir do capital, o que pode trazer conforto ao investidor mas sérios riscos econômicos para o país quando o dinheiro utilizado para o investimento não produz os excedentes reais compatíveis.

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