Homo Economicus (1723 – 1790 d.C.)

O homem é um calculista frio e irracional.

“Não é da benevolência do açougueiro, cervejeiro ou padeiro que devemos esperar nosso jantar, e sim de suas considerações por seus próprios interesses.” [Adam Smith]

        “Eu queria ter na vida simplesmente, um lugar de mato verde, pra plantar e pra colher, ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela, para ver o Sol nascer”. Quem já ouviu a música do compositor Peninha, não consegue encontrar o elo que a conecta com a sociedade atual, exceto talvez, pelo estresse acumulado no dia a dia que nos remete a um lugar de sossego
       

        Talvez tudo tenha começado no Jardim do Éden, quando Eva comeu a primeira maçã, talvez fosse o primeiro invejoso ou até mesmo o primeiro prepotente; o fato é que Adam Smith percebeu o Homem de sua época, que apesar de simpatia pelo bem estar do próximo, era um egoísta, movido por interesses pessoais. 50 anos depois, John Stuart Mill cunhou o termo Homem Econômico, este não possuía sua natureza alterada pelo estado social, preocupava-se mais em adquirir riquezas e é capaz de julgar eficientemente seus atos para atingir seus objetivos; reforçou que este Homem inevitavelmente busca maximizar suas satisfações com o menor esforço possível; apontou também o bem-estar no sentimento de ter posse e ser dono de bens. 

        A teoria do Homem Econômico foi refutada por diversos pensadores, primeiramente mostrando que o Homem toma muitas decisões emocionais com base no medo, raiva ou até mesmo felicidade ou amor; foi também debatido e eficiência das decisões baseada em custo e benefício por indivíduos incapazes de perceber a complexidade do todo, e até mesmo a capacidade de trocar o ganho do curto prazo por um maior de longo prazo. Certo ou errado, é fato que na maior parte do tempo tomamos decisões de forma racional visando interesses e analisando perdas e ganhos, e este modelo tem sido utilizado para gerar dinheiro pelas corporações e pessoas mais ricas do Mundo.

        O economista Gary Becker foi o pioneiro ao relacionar economia e sociologia; como resultado de seus estudos concluiu que metas de consumo são utilizadas para melhorar a situação de bem-estar do Homem infeliz. É fácil perceber que entre conseguir tempo, uma relação verdadeira, uma sociedade justa; ganhar dinheiro para adquirir bens é o caminho mais fácil e rápidos de nos satisfazer. Ainda segundo os estudos, o Homem Econômico está tão exaltado nos dias atuais que até ações simples como casamento, investimento nos filhos e escolha dos amigos são inconscientemente tomadas visando melhoria de renda e facilitar o atingimento de objetivos de consumo. 

        O sistema econômico que vivemos hoje é uma extensão do mundo planejado por Adam Smith, o pai da economia moderna, em seu trabalho a Riqueza das Nações; não podemos negar a importância e qualidade de seu trabalho; contudo não podemos deixar desapercebido que o resultado foi o esboço de um mundo concebido para hospedar o Homem Econômico, que é egoísta, racional e busca a maximização dos desejos com esforço mínimo. Não adianta culpar governos, igrejas, vizinhos ou a natureza, enquanto o Homo Economicus prevalecer, a sociedade como conhecemos permanecerá intacta.

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