Economia de Livre Mercado (1723 – 1790 d.C.)

A mão invisível do mercado impõe ordem.

“O consumo é o único fim e propósito de toda produção.” [Adam Smith]

        A mão invisível do mercado não existiu até meados do século XVIII, grande parte do comércio e produção agrícola fora controlado pelos senhores e governantes com o objetivo de beneficiar a própria classe e tentar garantir o necessário a população.
       

        Uma revolução ocorria na Europa por quase 100 anos, a formação de cidades e construção de estradas gerou um comércio não regulado entre agricultores dentro das feiras. A Fábula da Abelha, descrita em 1714 por Bernard Mondeville, suportava o pensamento de que operárias trabalhando em benefício próprio contribuem para o bem estar da colmeia; o conceito de Ordem Espontânea, apresentada em 1756 por Richard Chantillon, defendeu o conceito onde a organização social surge do caos espontaneamente.

        Ambas teorias ajudaram Adam Smith a detalhar esta revolução; em sua obra a Riqueza das Nações, mostrou como um comércio livre era capaz de gerar os produtos necessários com preços regulados pela lei da oferta e demanda. Salários competitivos nascem com a concorrência pela mão de obra qualificada, onde a qualificação, levaria posteriormente a formação de especialistas; esta engenharia social imaginária só poderia resultar em crescimento e progresso até atingir um estado rico estacionário que cresce através da inovação e tecnologia.

        Smith minimizou o papel do Estado como responsável por oferecer uma plataforma jurídica para o comércio livre, bem como a segurança deste sistema e da nação; lembrou que a formação de monopólios e o favorecimento podem desequilibrar este modelo, ressaltou que os ganhos justos devem ser realocados num fluxo circular sustentável para o benefício e crescimento de toda população.

        As teorias de Smith não foram aproveitadas de imediato, os Estados (ou aristocracia na época) não estava disposto a entregar sua fatia do bolo, contudo a Revolução Industrial seguida da Revolução Francesa deu início a um amplo período de liberalismo econômico que durou até a crise de 1929. Com o fim da 2ª Guerra nasceu um período de bonança onde a intervenção do estado na Economia era vista como natural, contudo o choque do petróleo em 1970 colocou este modelo em cheque dando lugar a um período chamado de neoliberalismo. 

        Críticos apontam que o mercado livre supre apenas as necessidades dos consumidores com dinheiro e é capaz de fornecer produtos nocivos, esta percepção contrária levou a dicotomia capitalista da economia tendo de um lado os “laissez-faire” a favor do livre comércio em uma nação capitalista e os “keynesianos” a favor de um estado com forte presença.

         Adam Smith rascunhou o livre comércio de forma sonhadora, assim como Karl Marx criou o comunismo crente na benevolência humana. Smith apesar de considerar o homem egoísta e objetivando a riqueza, também exaltava sua honestidade nas transações comerciais. A paixão cega do criador é antiga e foi debatida no livro Frankstein em 1797, Smith não percebeu a corrupção, o desdém com os excluídos (ou não consumidores), a falta de respeito pelo ambiente; passou desapercebida a corrida que se iniciaria pelas nações em um toma lá de cá brutal; qual seria a primeira nação a se tornar um estado rico estacionário?
 

        A ansiedade de Smith por ver seus conceitos em prática vinha de um governo Monárquico, ruim e ineficiente de sua época; e trocar o ruim por um sonho sempre será percebido como a melhor alternativa. Não há dúvidas da superioridade e dos grandes ganhos do modelo proposto de Smith quando comparado ao Monárquico de sua época; contudo todo estudioso não importando a época em que vive deve avaliar o impacto social de suas criações, inclusive prospectando aqueles que tomarão posse dela, tão importante quanto produzir novas ideias é garantir que não se façam mau uso delas.

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