O Paradoxo do Valor (1727 – 1781 d.C.)

Por que diamantes custam mais que água?

“Preço é o que você paga, valor o que você leva.” [Warren Buffet]

        Aristóteles criou no século III a.c. as definições de Causa Eficiente e Causa Final, e foi analisando-as que o inglês John Locke percebeu que todo bem possui valor pela sua utilidade no que faz e a satisfação alcançada com o resultado de seu uso. No mercado atual, ganha mais quem consegue convencer o consumidor desta utilidade bem como embutir a satisfação pelo uso, ou seja, vigora o Marketing.
       

        Definir o preço de um produto ou serviço sempre foi um desafio para Homem Econômico; inicialmente a solução mais racional foi a de precificar com base na utilidade, contudo percebeu-se que produtos podem ser mais úteis em determinadas épocas do ano, ou até mesmo etapas da vida. Smith foi além ao definir que o preço do produto pode ser lançado no caos do mercado livre e através das leis invisíveis do mercado, incluindo a adequação por conta da concorrência, estes seriam ajustados até convergir ou oscilar em um intervalo justo. 

        Daniel Bernoulli observou que o preço independe apenas do produto e sim das pessoas que o adquirem, lançou então o Paradoxo de São Petersburgo – um jogo de azar onde diferentes pessoas pagavam preços distintos para poder participar – onde mostrou que pode ser difícil encontrar o preço justo, sendo mais fácil precificar com base em quem adquire o bem. Böhm-Bawerk foi além ao definir que o preço de um objeto depende não das necessidades que este atende, mas sim das necessidades de quem o compra; surgiu então o conceito de utilidade marginal onde o prazer ganho com a unidade de um produto diminui com a quantidade que se têm deste – para quem está com fome, o primeiro biscoito pode ser vendido mais caro do que o segundo ou terceiro. 

        Atualmente o preço de produtos mantém as raízes históricas aos quais foram primeiramente submetidos; contudo com o apoio do Marketing foram alcançados níveis superiores de precificação; pois tornou-se possível transformar o inútil em primeira necessidade, o banal em extraordinário. É perceptível que os produtos e serviços hoje consumidos não possuem seus preços baseados no custo de seu processo de fabricação; esta façanha só se tornou possível com o estudo da psicologia comportamental do consumidor. 

        Pode parecer, a primeira vista, difícil de acreditar, mas o Ser Humano em sua maioria se sente mais feliz ao comprar um produto por um preço maior, pois isto lhe embute capacidade financeira e indiretamente competência social. Paga-se milhares de reais por anéis de diamantes, não pelo valor que o diamante possui, tão pouco pela sua escassez (a Rússia possui uma reserva capaz de suprir todo o planeta Terra, comercial e industrialmente por 3 mil anos); come-se macarronada à bolonhesa por centenas de reais para se impressionar uma mulher; paga-se 5 vezes mais por uma havaiana colorida e com acessórios para se diferenciar exatamente da mesma sandália utilizada por pessoas simples alguns anos atrás. 

        Podemos até chegar ao impensável de pagar U$1 mil por um diamante virtual para que seja exibido um ícone no IPhone, comprar tratores virtuais no Farmville ou uma espada mágica no World of Warcraft, no comércio dos produtos virtuais, apenas a necessidade psicológica humana é capaz de impor limites ao valor.

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