Demografia e Economia (1766 – 1834 d.C.)

O crescimento da população mantém a pobreza.

“Os que comem bem, dormem bem, e têm boas casas, possivelmente pensam que o governo gasta demais em políticas sociais.” [José Alberto Mujica]

        O assistencialismo não é uma invenção comunista, tão pouco nasceu no Brasil. Sua aplicação foi iniciada de forma intensiva pelos Cristãos e legalizadas séculos depois pelos Estados Europeus em uma época de riqueza abundante advinda da exploração colonial.
       

        Com o mercantilismo nos séculos XV ao XVII a palavra de ordem era crescer e multiplicai-vos, estratégia suportada pela teoria econômica que a riqueza de uma nação era gerada pela produção de seus trabalhadores. Contudo o surgimento das cidades e a oferta de emprego levaram a um êxodo rural que expos a parcela pobre do campo, destacaram-se então as teorias Iluministas que pregavam uma reforma social para inclusão social, uma delas apoiada pelo Marquês de Condorcet que defendia a inclusão social através da educação; outros governos criavam leis de assistencialismo direto financiado pelo estado, como a “Lei do Pobre” na Inglaterra de 1601. 

        Willian Godwin em 1793 propôs a distribuição de recursos nacionais para auxiliar os mais pobres como política legal de qualquer Estado. Thomas Malthus foi um crítico a estas políticas, em sua obra “Ensaio sobre o Princípio da População” de 1798 colocou a miséria como um reflexo direto do crescimento populacional; o impulso sexual fazia crescer a demografia enquanto crescia a escassez de alimentos extraídos da terra. Adiantou que doenças e a desnutrição eram agentes reguladores naturais que traziam a população ao equilíbrio restituindo os padrões de vida almejados; para manter tal equilíbrio devemos nos atentar a armadilha da elevação do padrão de vida, pois essa nos permite ter mais filhos levando novamente ao ciclo da escassez.

        Marx atacou Malthus ao afirmar que seus pensamentos são racionalismos de uma classe dominante, e foi reforçada por Garret Hardin em seu ensaio a “Tragédia dos Comuns” públicada em 1968; onde mostrou que racionalização do lucro somado a uma superpopulação acabaria por gerar uma exploração irracional da natureza. Sabemos que a Grã-Bretanha do século XXI triplicou sua população com um aumento de renda em 10 vezes; parte deste sucesso couberam a tecnologia, melhores cultivos e claro, a exploração das colônias.

        A assistência aos menos privilegiados por parte do Estado é aplicada mundialmente; todo país sem exceção provê ajuda aos cidadãos carentes. Não obstante, frequentemente se torna assunto de debates quanto ao uso eleitoreiro ou ferramenta de encosto de pobres. Poucos param para pensar que a pirâmide da vida é sustentada pela massa dos pobres e miseráveis; que de pouco adianta a previdência privada dos bem colocados não existir quem realize o trabalho braçal pelo dinheiro; que não se faz a caipirinha sem o os R$2,20 por tonelada de cana cortada; não se sai seguro de casa com uma multidão esfomeada; enfim, que com dinheiro que se compra o sorriso do pobre não suporta o estilo de vida dos ricos.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s