Abundância no Mercado (1762 – 1832 d.C.)

A oferta cria sua própria demanda.

“Existe sempre uma grande demanda por mediocridades. Em todas as gerações, o gosto menos desenvolvido tem o maior apetite.” [Paul Gauguin]

        Parece natural o pensamento de que a demanda é a principal atividade em um mercado livre; dela vêm a necessidade de produção, que acaba por contratar mais trabalhadores com por sua vez consumirão gerando novas demandas. Surpreendente imaginar que vivemos em uma economia controlada não pela demanda, mas sim pela oferta.
       

        Adam Smith apontou duas vulnerabilidades que podem trazer a falência um comerciante: falta de dinheiro e excesso de produção; Thomas Malthus reforçou que o sistema de comércio em que vivíamos inevitavelmente geraria subempregos e superproduções. 

        Jean-Baptiste Say em sua obra “Tratado de Economia Política” em 1803, propôs uma perspectiva diferente; defendeu que uma superprodução é pouco provável pois o desejo do Homem é maior que nossa capacidade em conceber e produzir novos produtos. Afirmou que a abundância suporta o aumento de consumo e mantém o dinheiro em circulação, já que é sempre gasto na aquisição de novos bens. Na perspectiva do autor, a oferta é o principal motor econômico e não a demanda.

        Kaynes, em 1936, criticou Say ao dizer que parte do dinheiro não é gasto e sim poupado, também atacou sua teoria de que altos índices de desemprego são sintomas de curto prazo e limitado a alguns setores da economia. A teoria Keynesiana teve grande aceitação, principalmente em uma época pós depressão onde a intervenção do Estado foi essencial para revigorar a economia, o que veio de encontro com a análise que falta de demanda reduz a produção causando desemprego.

        Ludwig Von Mises contra atacou Kaynes, definindo sua teoria como maior mentira econômica já inventada, além de defender que produtores que exagerassem na produção seriam retirados do mercado devido as grandes perdas com alto estoque. Steven Kates recentemente publicou sua obra “Free Market Economics”, onde reforçou os pensamentos de Jean-Baptiste Say além de descrever os pensamentos de Kaynes como “doenças conceituais”. Tudo indica que a briga pela “superoferta” ou “superdamanda”se estenderá ainda por muitos anos.

        Quantos modelos distintos de um produto existe atualmente? Camisas, tênis, carros, celulares? Quanto consumimos destes? Jean-Baptiste Say foi certeiro ao notar que o desejo humano é maior e cresce mais acelerado que qualquer meio de produção. Existe um grande conjunto de empresas que geram uma oferta ou superoferta, um grande exemplo é o setor de tecnologia.

         A abundância não só possibilita mas também instiga um aumento da demanda, contudo este modelo não funciona em todos os casos; em tempos de recessões Kaynes é imbatível, e já foi confirmado na prática: apenas o dinheiro do contribuinte administrado pelo Estado pôde reverter uma situação econômica desfavorável. Importante ressaltar, que na economia em que vivemos, poupar não significa tirar dinheiro do mercado e sim disponibilizá-lo para que outros empreste-o e consuma, sendo portanto, uma injeção direta na economia; à menos que o dinheiro seja guardado debaixo do colchão.

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