Empréstimo é Dívida (1772 – 1823 d.C.)

Financiar já é tributar depois.

“Viva dentro de seus rendimentos, mesmo que tenha que pedir emprestado para isso.” [Josh Billings]

        Vivemos o tempo onde o tudo deve ocorrer Hoje e o desejo saciado imediatamente, formamos a geração “Eu tenho o direito de ser feliz, e agora”. Em tempos de liquidez como este, nada melhor que Bancos para auxiliar os cidadãos e os governos a colocar em prática tantos excelentes planos.
       

        Com o fim das Monarquias e do Feudalismo, o Estado perdeu o direito de tomar os recursos de seus cidadãos; para financiar a Guerra dos 7 anos contra a França, a Grã-Bretanha viu sua dívida atingir 250% de toda a sua receita. David Ricardo, publicou em 1817 sua obra Princípios da Economia Política e Tributação, onde defendeu que gastos públicos devem ser suportados ou por impostos ou por empréstimos. Ao defender que tomar empréstimos significa adiar a cobrança de impostos que virão mais tarde, criou a Equivalência Ricardiana, onde mostrou que o resultado em tributo será o mesmo.

        Na Europa pós 2º Guerra adotou-se um modelo keynesiano para estímulo da economia, o que aumentou em muito a dívida pública dos países. Em 1974, o economista Robert Barro retomou a ideia de David Ricardo além de modernizar sua equivalência; defendeu que o principal problema da dívida pública são as suposições que supostamente suportarão o pagamento dos, que não computam o custo transacional e o possível aumento das taxas. 

        O principal fator que leva um Estado a financiar ao invés de tributar de imediato consiste em deslocar o problema para futuras gestões não penalizando a população de imediato gerando perda de popularidade. Atualmente a Equivalência Ricardiana continua um assunto polêmico sobre o quanto é válido o endividamento público para estímulo da economia, a crise da dívida pública na Grécia e em outros países Europeus serão mais uma contra exemplo do quão endividado pode se tornar um Estado.

        Não se encontra no mundo país sem dívidas e o Brasil não é diferente, o inicio do endividamento data do século XVI e XVII, contudo foi legalizado apenas em 1827. No Brasil República de 1889 a 1963 viu-se o endividamento crescer exponencialmente; principalmente a partir de 1910 com uma taxa de juros de 5% a.a. De 1964 a 1969 um novo estímulo à economia levou a dívida de 0,5% à 4% do PIB, contudo a crise do petróleo de 1970 segurou os investidores, aumentou a inflação e desnudou uma política econômica que só crescia com o aporte de empréstimo. 

        Em 1990 estávamos em 15% do PIB e a desconfiança de um calote levou as taxas de juros acima dos absurdos 20%; por fim chegamos em 2003 com uma dívida de ridículos 60% do PIB. Atualmente o Brasil possui uma dívida de 36% do PIB, são R$1.6 trilhões reais, com uma Selic a 11% ao ano, o que significa R$176 bilhões de juros ou quase R$1.000 ao ano por brasileiro. O endividamento público desperdiça dinheiro e deixa um legado que bloqueia o desenvolvimento, além de tornar o país mais vulnerável ao mercado e incapaz de políticas inovadoras – tudo se resolve apenas com mais dinheiro.

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