Crescimento e Retração (1773 – 1842 d.C.)

A economia é um ioiô.

“A concorrência universal, ou o esforço para produzir sempre mais e sempre a preços mais baixos é um sistema perigoso.” [Jean-Charles Sismondi]

        Crises econômicas datam de séculos, contudo sua causa era comumente atribuída a deuses, guerras, revoluções, alterações climáticas. A aceitação de que o próprio sistema econômico é quem causa as crises foi levantada apenas no século XIX.

        Adam Smith, defendeu a perspectiva que o próprio mercado naturalmente encontraria o equilíbrio econômico, Jean-Baptiste Say reforçou que a oferta pode gerar demanda e se equilibrar naturalmente. Robert Owner em 1817 apontou que a superprodução e um subconsumo são as causas principais das crises econômicas.

        Jean-Charles Sismondi, em sua obra “Novos Princípios da Economia Política” foi quem primeiro citou a periodicidade de crises citando os tempos de expansão e retração econômicos, também criticou um sistema que se preocupa apenas em riqueza, esquecendo do passo consequente que consiste em transformar riqueza em felicidade e bem estar para a população; alertou que o equilíbrio econômico natural que Smith pregava demoraria a ocorrer, sendo antes necessário muito tempo de sofrimento. Sismondi mostrou que crises não são causadas por eventos externos e sim pela desigualdade criada em tempos de expansão, criticou também o modelo laissez-faire de Smith defendendo a intervenção governamental tanto no acúmulo de riquezas quanto na contenção de crises.
        Charles Dunoyer em 1820 baseado na obra de Sismondi foi quem primeiro definiu o ciclo econômico: sua ideia basicamente mostrou que com a expansão de lucros e produção as empresas se viam compelidas a cortar custos para serem competitivas, estes cortes eram seguidos de demissões e reduções salariais que diminuíam o poder de compra gerando crises; as recuperações de crises vinham com preços baratos posteriormente que estimulavam o consumo. Kaynes também foi influenciado por Sismondi que não só auxiliou empresas e governos a entenderem as crises como também identificar o posicionamento no ciclo como se preparar nos momentos piores.
        A consciência de que o modelo econômico vigente é o causador das crises foi um avanço intelectual e tanto em uma época onde era visto como modelo perfeito e eficiente. Vale ressaltar que este avanço hoje está limitado ao escopo de crises curtas seguidas por grandes tempos de prosperidade nos países ricos e o inverso em países pobres. É fato também, que a prosperidade hoje só é alcançada com a abertura econômica ao investimento externo, o que significa entregar parte da riqueza gerada a outros países.
        Devemos nos atentar também à crença de que cortes de custos e demissões são práticas utilizadas para melhorar competitividade, empresas que detêm o domínio do mercado e lucram bilhões ainda sim dão continuidade a estas políticas com o objetivo único de aumentarem seus lucros. O fato de termos superado crises utilizando o “modelo” de Kaynes no passado através do aumento de participação do estado não é garantia nenhuma de que todas as crises que certamente irão surgir poderão ser resolvidas igualmente.

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