Vantagem Comparativa (1772 – 1823 d.C.)

O comércio beneficia a todos.

“A redução de dinheiro em um país e o aumento em outro não influi no preço de um produto, mas no preço de todos.” [David Ricardo]

        A competitividade comercial não se resume em ser melhor, está enraizada a necessidade de vencer o oponente, derrubar o inimigo. Este jogo de “matar ou morrer” levam países a proteger sua indústria garantindo diversificação e desenvolvimento industrial.
       

        Sanções econômicas são uma excelente arma de competitividade, a primeira aplicação foi realizada por Atenas contra os Mégaros em 433 a.c., a principal justificativa fora a violação de território sagrado. Em 1549 o político John Hales debateu abertamente a periculosidade do livre comércio para a Inglaterra, que na época estava longe de ser uma potência econômica.

        No período de 1799 a 1815 as guerras napoleônicas cessaram muitas das importações de grãos pela Inglaterra, o que estimulou a lavoura devido aos altos preços. Com o fim da guerra e consequente disponibilidade de importação, viu-se o preço cair abruptamente, fato este barrado pela Lei dos Cereais, patrocinadas por latifundiários no poder, onde foi aprovada a manutenção dos preços e proibida a importação do grão.

        David Ricardo, um proprietário de terras, discordou da ação do parlamento britânico, afirmando que a medida empobreceria o país no longo prazo; o economista utilizou-se da “vantagem comparativa” de Smith para mostrar que o país deve se concentrar no que faz de melhor importando os demais produtos por preços menores.

        A Teoria Ricardiana de que um país em desvantagem absoluta (produz menos) pode conseguir uma vantagem comparativa (produzir mais barato) e portanto se tornar atraente e até lucrativo; Hecksher-Ohlin complementou mostrando que países com abundância em capital tendem a industrializar-se enquanto os abundantes em mão-de-obra tendem a praticar a agricultura.

        David Dollar e Aart Kraay acrescentaram que o comércio auxilia países em desenvolvimento a crescerem, tese esta não aceita por Joseph Glitz que apontou como prejudicial a liberalização acelerada de países em desenvolvimento; EUA, Japão e Alemanha fortaleceram sua indústria através do protecionismo antes de abrirem seus mercados, esta liberalização pode barrar o desenvolvimento de países pobres, principalmente a industrialização e capacidade produtiva.

        Estima-se hoje que 75% de todos produtos consumidos por americanos sejam produzidos na Ásia; muito deles criado e projetado nos EUA; esta política de manufatura na Ásia data de décadas e pode ser um dos agentes que elevou o desemprego de 4% para os atuais 8%, valor alto para o país. 

        Na Índia, grande parte dos agricultores produziam óleo de amendoim; ao reduzir impostas na importação de óleo de palmeira das Filipinas elevou-se o consumo nacional; contudo tirou o sustento de um milhão de agricultores que não possuíam equipamento ou capacidade de cultivo de outro insumo. Vivemos um mundo de livre comércio, onde cada governo ajusta suas fronteiras para manter a vantagem comparativa de seus meios de produção.

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