Paradoxo dos Gastos (1837 – 1910 d.C.)

Quando o preço sobe, há quem compre mais.

“Acreditamos que somos consumidores, enquanto somos consumidos.” [Bryant McGill]

        Seria a elevação de preços de um bem ou produto uma estratégia arriscada?  A verdade de que o preço é um fator fundamental no livre mercado de acirrada concorrência está desatualizada há muito tempo, exceto para as empresas que ainda não encontraram em seus produtos uma boa utilidade marginal.
       

        O estatístico Robert Giffen em meados do século XIX realizou um estudo onde mostrou que alguns bens essenciais, ao terem seus preços aumentados, levam a uma procura maior dos mesmos. Os Bens de Giffen trata-se de um caso excepcional que atinge apenas as classes mais pobres; pois ao aumentar o preço de um bem essencial diminui-se o poder de compra desta classe levando-a trocar o consumo supérfluo pelo produto ou bem vital. Citou como exemplo na época o pão e a carne, ao elevar-se o preço do pão diminui-se o poder de compra da carne levando o cidadão a consumir mais pão.

        Thorstein Veblen, um economista americano publicou em 1899 a Teoria da Classe Ociosa onde mostrou que produtos mais caros também podem ter um aumento expressivo em sua comercialização quando elevado o preço. Os Bens de Veblen diferentemente dos Bens de Giffen não são excepcionais e foram enraizados na cultura consumista lançada pelos EUA pós Segunda Guerra (apesar de existirem décadas antes); inicialmente criados para atingir a classe mais rica, seu objetivo era permitir a ostentação de riqueza através da aquisição de produtos sabidamente caros cuja superioridade em qualidade não seguia o aumento dos preços ou poderia até mesmo inexistir quando comparado a outros bens semelhantes.

        Apesar de ainda existirem ambos Bens de Giffen ou Veblen, o mercado criou uma outra categoria de bem conhecida como masstige; muito comum nos dias de hoje estes bens foram criados principalmente para atingir a classe média em países ricos ou diferenciar as classes B e C em países emergentes. Produtos de massa que trazem prestígio são hoje, a galinha dos ovos de ouro de muitas empresas, e se tornam sucesso de vendas ao prover à classe média não apenas um produto mas também a sensação e o prazer de se ver despontando economicamente na vida materializado em artigos de “quase luxo”

        Bens “Masstige” de hoje em dia incluem celulares IPhone ou Samsung Galaxy, cafeteiras Nesspresso, carros como i30, Veloster, Cruze. Os países emergentes, possuem uma característica especial para seus bens masstige que consiste em prestigiar produtos considerados populares ou segmentados para a classe C em países de primeiro mundo – principalmente Europa, EUA e Japão.

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