O Problema da Pobreza (1806 – 1873 d.C.)

Os Pobres são azarados, não maus.

“A sociedade que não tem nem a pobreza, nem a riqueza, sempre terá os princípios mais nobres.” [Platão]

        Vou me mudar para a Europa, lá sim é Primeiro Mundo, não esse país que utiliza do meu suor através dos impostos para dar “bolsa-esmola” se promovendo e comprando votos através de políticas assistencialistas. Quem nunca ouviu esta frase ao vivo e a cores exatamente como colocada, com certeza já ouviu uma variante semelhante.

       

        A discussão sobre os malefícios da desigualdade social e os problemas da pobreza iniciaram milhares de anos atrás; na Inglaterra do século XVI a “Lei do Pobre” foi criada para combater a pobreza explicita, onde uma ajuda do Estado seria repassada aos pobres dignos (idosos, deficientes, desempregado) sendo considerado crime a mendicância. 

 
        Um século depois, com a Industrialização, Thomas Malthus defendeu o conceito que auxílios do Estado desestimulam o trabalho e criam dependentes eternos, suas ideias foram aceitas em uma época onde a oferta de emprego era ampla e farta. John Stuart Mill, apesar de defensor de um Estado limitado, enfatizou que o mercado cria produção e riqueza mas não se preocupa em como distribui-la, deveria portanto ser obrigação do Estado garantir educação e saúde aos pobres, para que possam ter boa qualidade de vida.
 
        Em 1879 Henry George, um filósofo e político americano, propôs em sua obra “Progresso e Pobreza” a criação de impostos direcionados para o combate à pobreza, enquanto os ingleses Charles Booth e Joseph Rowntree criaram uma metodologia própria para mapear a pobreza, gerando um estudo social ainda amplamente utilizado e que lhes renderam uma medalha e a presidência da “Royal Statiscal Society”. 
 
        Com a ampliação de direitos a votos nos países Europeus a partir do século XX, as políticas de “bem estar”, foram intensificadas por exigências sociais, e claro, eram atendidas pelo menos parcialmente pois trazia garantia de popularidade e voto. 
 
        Amartya Sem, economista vencedor do prêmio Nobel que ajudou a criar o IDH (ìndice de Desenvolvimento Humano), definiu a pobreza não pelas posses e bens de um cidadão mas pela sua capacidade de ser ou fazer, estudou a desigualdade atribuindo a ela a principal causa da fome e falta de desenvolvimento. Defendeu a crítica de um estado de “bem estar” como populista e angariador de votos, lembrando que o conceito de “direito de voto” deve ser precedido pelo conceito de “capacidade de voto”.
 
        Muito se discute sobre políticas de “bem estar”, o fato é que países que as iniciaram, reduziram a pobreza para 1/3, e os que investem mais de 20% do PIB estão no topo do IDH. Em 2000, 189 nações assinaram algumas metas para 2015, dentre elas consta o fim da fome e redução da miséria. Contudo o que vemos na África Subsaariana é uma população onde a miséria ultrapassa os 62%, enquanto os países em desenvolvimento possuem índice de miseráveis em torno de 14% ou 43% se consideramos também os pobres. 
 
        Atualmente. a crítica mias forte contra as políticas de bem estar são ineficiência e insustentabilidade do Estado, existem até aqueles que usem a Grécia como um contra exemplo de como o Estado deve agir, no entanto poucos refletem que não é a alocação do dinheiro o problema nestes casos, e sim a falta de idoneidade moral daqueles que os gerem ou buscam o benefício. 
 
        Países de primeiro mundo não discutem os ganhos de uma política de “welfare”, o assunto em pauta é como torná-las mais eficiente. Portanto, adie a viagem e não faça as malas, porque antes de mudar para o primeiro mundo será necessário se transformar.

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