Depressões e Desempregos (1883 – 1946 d.C.)

O desemprego não é uma escolha.

“A dificuldade não está nas novas ideias mas em escapar das velhas.” [Keynes]

        Como dois mais dois são quatro, a piora ou a sensação de, nos índices econômicos traz em destaque o anúncio previsível do Estado: as novas obras de infraestrutura vão estimular novamente a economia, trazendo o país ao já conhecido ciclo vicioso do crescimento.
       

        A mão invisível do mercado capaz de trazer a prosperidade a todos habitantes da terra dominou o pensamento econômico por séculos, contudo a lentidão para se alcançar tal plenitude levantou questionamentos por Beatrice Webb em seu trabalho Minority Report, seria a pobreza algo a ser eliminado naturalmente pelo mercado ou um problema estrutural do capitalismo a ser resolvido pelo Estado? Para Keynes, no longo prazo estaremos todos mortos, e em sua “Carta Aberta ao Presidente Roosevelt” pediu que a recuperação da crise fosse realizada através de gastos públicos que estimulassem a economia como um todo. 

        Em seu livro “Teoria Geral do Emprego, do Juros e da Moeda” realizou um estudo macroeconômico relacionando as diversas partes da economia, fazendo uma ruptura com a escola clássica de Smith que estuda o micro capaz de se auto organizar. Influenciado pela recessão em sua época, Keynes concentrou-se em estudar o emprego e não a pobreza, uma tarefa complexa em um período que desempregados eram associados a falta de caráter, ao condicionamento de vícios e doenças. 

        Pigout em 1908 defendia o desemprego como uma consequência de trabalhadores que não se sujeitavam a salários mais baixos, defendendo a visão clássica da economia, todos estaríamos desfrutando de um pleno emprego se aceitássemos os valores de salário do mercado. Contudo a crise de 1929, que derrubou a produção americana em 40% e levou o país a índices de desemprego acima de 25%.

        Ao analisar esta diferença entre queda de produção e desemprego, Keynes concluiu que a queda dos preços dos produtos e bens de serviços são mais dinâmicas que as reduções de salário através da recontratação por menores salários, impedindo o mercado de se recuperar de um ciclo vicioso de depressão. A solução mais correta seria portanto, um aporte do Estado na Economia capaz de gerar empregos que estimulariam a produção privada, obtendo o retorno dos impostos para cobrir os gastos iniciados.

        Hoje, a “Teoria Geral” de Kaynes é uma das mais influentes no mundo, saiu dela a necessidade de um Ministério para gerenciar o Trabalho e o Emprego; contudo é ainda perceptível, o pensamento “pigouviano”que rotula desempregados como vagabundos. Keynes foi certeiro ao duvidar da capacidade do mercado em quebrar um ciclo de depressão, já que seria necessário um setor injetar dinheiro suficiente capaz de estimular a economia como um todo. 

        A participação do Estado no incentivo a Economia ocorre hoje em grande parte do mundo de forma exacerbada e desvirtuada. O Estado se endivida para fazer obras de infraestrutura mesmo em períodos de estabilidade, o dinheiro dos juros da dívida enriquece os mais ricos e não permitem reduzir os impostos, enquanto as obras de infraestrutura melhoram a competitividade das industrias. É o cidadão enriquecendo rentistas e financiando a indústria para ter a satisfação de se orgulhar por ter um emprego e ser esfolado por uma inflação que reduz constantemente e silenciosamente os salários.

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