Economia Desenvolvimentista (1911 – 2010 d.C.)

Tudo que os países pobres precisam é de um grande impulso.

“As indústrias que atendem o consumo de massa são na maioria complementares, propiciando um mercado para as outras que nela se apoiam.” [Ragnar Nurkse]

        O que diferencia um país desenvolvido e rico de um país pobre ou em desenvolvimento? A herança, os recursos naturais, o desenvolvimento tecnológico, são sem sombra de dúvidas um fator importante; no pensamento de alguns economistas, todos os países podem ser ricos, basta fazer a coisa certa.
       

        Em 1837, o alemão Friedrich List percebeu o poder da industrialização, defendeu que países devem restringir a importação de produtos para forçar o fortalecimento de uma indústria nacional. Com o esforço despendido pelas potências mundiais nas duas Grandes Guerras e o esgotamento de seus recursos nacionais, viu-se necessária uma política de financiamento para recuperação de todos países que ficou conhecida como Plano Marshall, onde EUA financiou a criação de um Parque Industrial de Massa e obras de Infraestrutura que traria o crescimento sustentável de volta a Europa.

        Segundo Albert Hirshman, a criação de um Parque Industrial é essencial, pois cria um encadeamento prospectivo onde um setor gera mais oferta a outro reduzindo os preços; este também gera um encadeamento retrospectivo onde um setor gera mais demanda de outro permitindo o aumento de lucro. Era necessário portanto, para alcançar uma economia sustentável, acertar no financiamento deste parque industrial e permitir que esta rede complexa se ajuste através do livre mercado. Segundo o autor era evidente que tal modelo exige uma participação do Estado, já que a criação de um parque industrial amplo é de grande risco e exige um grande montante de investimento, algo que a iniciativa privada não conseguiria ou não se arriscaria a realizar.

        O Plano Marshall obteve sucesso na Europa, contudo se mostrou um fracasso em outros países, a conclusão foi que o bom uso deste investimento para criar esta rede complexa nem sempre ocorre, governos sem a devida competência erram na dose e acabam por criar estatais inchadas ou regulando exageradamente o mercado. Nesta regulação é comum observar o protecionismo industrial que inibe a competição e gera produtos de má qualidade. O novel de economia, Paul Krugman, apoiado nesta ideia também defendeu a igualdade entre as nações onde um investimento traria a riqueza desde que iniciado pelo Estado e regulado posteriormente pelo mercado.

        O Plano Marshall foi um produto criado para atender um mercado em específico – países desenvolvidos destruídos pela guerra – obteve cases de sucesso e gerou grande retorno financeiro; cliente satisfeito e empresas com lucros e sistema financeiro saudável. Como todo produto de sucesso foi ofertado em outros segmentos – países subdesenvolvidos sem tecnologia – gerando lucros, porém trazendo efeitos indesejáveis. 

        Qual a solução para o impasse? Exige-se que o cliente se atualize, neste caso, a atualização é a abertura do mercado para a tecnologia e plataforma industrial dos países desenvolvidos. É necessário entender que a culpa neste caso não é do cliente, pois um mesmo produto não serve a todos igualmente. A premissa de que a riqueza mora ao lado, bastando para alcançá-la assinar o pacto com o livre mercado é insuficiente, os investimentos adequados exigem independência política e requerem tempo para se concretizar, tempo este que muitos não estão dispostos a esperar.

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