Governança Corporativa (1895 – 1988 d.C.)

Executivos querem vantagens, não o lucro da empresa.

“Ousadia é uma das qualidades do empreendedor. O Mundo pertence aos ousados.” [Eike Batista]

        Brasil, Junho de 2014. São 18:00 horas, o trabalho acabou, deve-se bater o ponto e ir às ruas, é tempo de protestar este fato inaceitável de ter seus próprios esforços convertidos em dinheiro, que são repassados a governantes na forma de impostos para que aumentem seu próprio salário. Amanhã é um novo dia de uma nova era; vamos trabalhar virtuosamente e disciplinadamente, transformando nossos esforços convertidos em dinheiro para executivos e diretores que aumentam seu próprio salário.
       

        Em 1602, a Companhia das Índias Orientais, foi a primeira empresa a ter suas ações negociadas na Bolsa de Valores, por mais de 300 anos se tornar investidor de empresas adquirindo suas ações fora o pensamento empreendedor da época. Muitos acreditavam no princípio básico do livre mercado em que a gestão corporativa era realizada em benefício e alinhado às estratégias dos acionistas.

        A Grande Depressão teve seu início na terça-feira negra, quando a bolsa de valores Dow Jones caiu 50% em um único dia, causando o maior impacto econômico no Mundo. Adolf Berle e Gardiner Means em sua obra “Moderna Sociedade Anônima e a Propriedade Privada” de 1932 mostraram que após toda riqueza alcançada com a Revolução Industrial, os acionistas abriram mão de acompanhar a direção de suas empresas exigindo apenas seus dividendos, deixando grande poder aos executivos e diretores, o que alterou a balança do poder. 

        Segundo os autores, os acionistas possuem um comportamento apático, mantendo apenas o “status quo” ou abdicando de sua opção de voto, o que abre brechas para que o corpo diretor busque apenas o lucro pessoal ao invés do crescimento corporativo. O trabalho de Berle e Means alavancaram a criação de leis que deram poder aos acionistas de demitir diretores ou convocar reuniões gerais, algo impensável naquela época.

        Em 1983 os economistas Eugene Fama e Michael Jensen também estudaram a separação entre proprietário e controle de empresas onde levantou-se a necessidade de definir uma empresa obediente a uma série de contratos. Em 2002 com diversas fraudes bilionárias estourando no mundo corporativo foi aprovado a Lei Sarbanes-Oxley para auditar e garantir níveis de confiança as empresas.

        Atualmente, vivemos uma situação semelhante, apesar das diversas leis de auditoria e boas definições de gestão corporativa. O modelo econômico despeja liquidez financeira nas empresas através de fundos especulativos, permitindo aos executivos lançarem mão de lucros enormes de curto prazo angariando seu bônus sem se preocupar com a empresa como um todo, e o que é pior, enganando ou explorando o consumidor e o acionista. 

        Grande parte do descontentamento com o Capitalismo de hoje vem do comportamento de fracasso da governança corporativa de muitas empresas, para o contribuinte estes executivos têm se tornado cada vez mais uma “classe social” disposta apenas a aumentar suas riquezas, mesmo que seja necessário apelar para ações imorais e que revelem um mal caráter.

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