Economia Social de Mercado

Tornar os mercados justos.

“Todo o partido existe para o povo e não para si mesmo.” [Konrad Adenauer]

        Capitalismo ou Socialismo? Marx ou Smith? Direita ou Esquerda? Estado ou Mercado? Pode-se passar uma vida discutindo o melhor ou o pior, pode-se inventar conceitos através de interpretações viciadas, ou simplesmente apanhar o que se entende como melhor de cada um. Saindo não tão quente assim do forno; pendendo muito mais para o pão murcho na vitrine, a Alemanha apresenta o Ordoliberalismo.
       

        Em 1848, Marx e Engels publicam o Manifesto Comunista e com o fim da 2º Guerra o mundo se dividiu entre Capitalismo e Socialismo; qual modelo escolher? O capitalismo que estimula o crescimento e gera anomalias de mercado como desigualdade e monopólios, ou o Socialismo que traz igualdade e reduz as anomalias freando o crescimento econômico? Walter Eucken e Franz Böhm fundaram 1948 na Alemanha o Jornal ORDO, que defendia o pensamento da Escola Freiburg de economia criados por Wilhelm Röpke e Alfred Müller. A ideia foi simples, porque não juntar o melhor de cada proposta? Surgiu então, o ordoliberalismo.

        O modelo buscava atingir uma economia social de mercado, ou economia mista, balanceando Capitalismo e Socialismo seria possível obter o melhor dos dois; neste modelo a indústria seguiria privada e com liberdade de concorrência enquanto o governo deveria proporcionar serviços públicos, saúde universal, pensões, auxílios e assistencialismos com os impostos recolhidos. Este modelo deveria atingir o avanço econômico sem gerar inflação e desemprego com igualdade na distribuição de renda. O modelo se mostrou um sucesso, o milagre econômico levou a Alemanha destruída pela guerra em 1945 a status de país desenvolvido e industrial em 5 anos.

        Com o sucesso obtido, o modelo Alemão fora exportado para países como Áustria, Suécia, Dinamarca, Holanda, Noruega, Finlândia e Islândia. Quando em 1980 o neoliberalismo de Friedman adotado nos EUA e Inglaterra tornaram mais competitivas suas industrias criou-se uma ameaça ao modelo nórdico levando a Alemanha a iniciar um afastamento de sua política ordoliberal. O colapso da URSS em 1990 empurrou países como Croácia, Eslováquia e República Tcheca a adoção de economias mistas enquanto países como China iniciaram reformas criando uma particular “economia mista chinesa”.

        Atualmente, não só a Alemanha, como outros países nórdicos são pressionados a reduzir o papel do estado devido a competividade industrial de países neoliberais; o primeiro país foi a Islândia que colheu crescimento econômico substancial até 2008 ao ser atingido em cheio pela crise financeira. O que se percebe atualmente é uma migração do ordoliberalismo para um neoliberalismo de forma mais branda, buscando conciliar a competividade da indústria nacional às políticas de bem-estar dos cidadãos. Imune a esta mudança, a Noruega generosamente agraciada com petróleo, não precisa gladiar no mercado e tem mantido através de seu ordoliberalismo as melhores posições no IDH nos últimos 12 anos.

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