Taxas de Câmbio e Moeda

Economias parecidas podem se beneficiar de uma moeda única.

“Parece difícil que no mundo da viabilidade política as moedas nacionais sejam abandonadas em favor de qualquer outra solução.” [Robert Mundell]

        A segregação geográfica e de interesse das nações levaram ao natural caminho da criação de uma moeda própria; contudo moedas distintas acarretam um custo extra de transação e câmbio que poderia ser eliminado se adotado uma moeda global. O que impede nações, mesmos as extremamente próximas de convergir em uma moeda única?
       

        Com o fim da 2º Guerra, criou-se um sistema sólido para o fluxo de capital internacional, posteriormente em crise devido à dificuldade dos EUA no ajuste de taxas de câmbio para compensar balanços entre importações e exportações. Milton Friedman propôs a morte do padrão ouro e a adoção de câmbio livres que seriam regulados pelo próprio mercado, enquanto Robert Mundell questionou se a criação de uma moeda por país não passava de uma simples inércia histórica que pudesse ser substituída por uma moeda única. 

        As reflexões sobre o questionamento de Mundell esclareceram a viabilidade de uma zona monetária comum, que deveria adotar como premissa mobilidade de mão-de-obra e capital para acompanhar tendências econômicas além de transferências fiscais para cobrir os governos deficitários.

        Em 1979, a Europa percebeu a vantagem de uma área monetária comum e iniciou um processo de estabilização dos câmbios existentes, resultando em 1999 a criação da União Europeia; contudo o fluxo livre de transferências fiscais, mão-de-obra e capital não foram acordados, pois cada país não abre mão de sua autonomia para tributar e gastar impostos. A solução foi restringir em um primeiro momento a entrada de alguns países. 

        Atualmente existe uma restrição para que um país faça parte da Comunidade Europeia, entre eles podemos destacar um endividamento público abaixo de 60% e um déficit anual de 3% do PIB. Em 2009, após anos de crescimento europeu suportado pelo financiamento aos países pobres estourou a crise Europeia, que trouxe à tona novamente o debate quanto às transferências fiscais mesmo que restritas.

        Num primeiro momento a Zona do Euro soou como um abraço entre países que se gladiaram por séculos, contudo a irmandade diante da crise foi outra. Alemanha, Inglaterra e França, ricos e com grande capital perceberam um novo mercado a financiar; dando início a uma enxurrada de crédito fácil; tomado por Irlandeses, Gregos, Espanhóis, Islandeses, Portugueses e Italianos que se regozijaram por anos. Com a inadimplência e um iminente calote viu-se uma pressão dos países ricos através do Banco Central Europeu que cortou qualquer ajuda monetária sem um acordo prévio para o pagamento destas dívidas.

        Iniciaram-se então os debates e críticas de que um sistema de livre mercado não força contribuintes a pagar prejuízos de bancos privados, onde foi requerido sem sucesso a absorção do impacto pelos credores dos países ricos. Foi durante esta crise que se revelou o caso de corrupção do governo Grego, que com a ajuda do banco Goldman Sachs maquiou contabilmente os dados fiscais para continuar emprestando dinheiro e endividando o Estado; a Grécia por estar em uma crise mais profunda conseguiu que parte de sua dívida fora reduzida e renegociada.

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