Teoria da Dependência

Países ricos empobrecem os países pobres.

“Todo Império se diz diferente dos outros, que sua missão não é pilhar ou controlar, mas sim educar e libertar.” [Edward W. Said]

        Qual a verdadeira intenção de potências desenvolvidas ao se aproximarem de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento? Supondo que o motivo da aproximação seja a exploração, existe alguma outra opção para o desenvolvimento aflorar sem as ferramentas e o capital necessário?
       

        Em 1841, o alemão Friedrich List criticou fortemente o livre comércio, onde defendeu o protecionismo econômico nacional. Reforçado pelos estudos de Singer e Prebish, onde mostrou-se que o volume de importação e exportação ou de manufaturados e matéria-prima nos países em desenvolvimento tendem a ter uma relação de piora cada vez maior, resultando na inflação de produtos manufaturados que exigem uma extração cada vez maior de recursos primários para adquirir o mesmo bem manufaturado.

        Andre Gunder Frank, contestou o discurso que prega a integração econômica para benefício mútuo alegando que a parceria resulta em uma relação de perpetuação desta divisão, no que chamou de teoria da dependência. Ao identificar que países ricos não costumam criar integrações econômicas entre si, nota-se que a intenção não é bilateral, e portanto, a liberalização do comércio ocorre onde ricos se beneficiam de pobres trocando produtos manufaturados por matéria-prima. 

        Ainda, este condicionamento não entrega aos países pobres recursos e ferramentas necessárias para que possam prosperar, mantendo assim o núcleo global de países ricos para onde se flui a riqueza mundial. Inclusive classificou os investimentos de capital e tecnologia, como uma maquiagem, que não busca a prosperidade de longo prazo e sim a exploração de recursos e mão-de-obra mais baratos.

        Com o receio da subordinação, muitos países optam por se fechar economicamente, o que os leva a uma pobreza ainda maior, justamente pela inabilidade em extrair e manufaturar adequadamente os recursos existentes. Críticos à teoria da dependência apontam Taiwan e Coréia do Sul como contra exemplo de que uma aproximação entre países ricos e pobres, pode sim, gerar uma relação de ganho mútuo.

        Em definitivo, não se trata de uma batalha fácil, na relação entre países ricos e pobres os exemplos de subordinação superam em muito os libertários. Importante observar também que a “emancipação” da Coréia do Sul não ocorreu apenas devido ao aporte de capital e investimento externo, e sim, de uma política de austeridade governamental aliada a fomentação de indústria de base forte e posterior investimento em educação. 

        Enfim, uma conscientização política unificada de longo prazo somado a uma eterna vigilância e zelo pela “libertação” devem ser superiores e fortificadas para que não possam ser facilmente quebradas pela imprensa, golpes, assassinatos de líderes e corrupção de parlamentares.

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