Engenharia Financeira

É possível investir sem correr riscos.

“Não atravesse um rio que tenha em média 1,5m de profundidade.” [Nicholas Taleb]

        Como é bom ser criança, brincar de jogar. Imaginemos agora um jogo para adultos com algumas regras bem simples: uma fórmula matemática previamente acordada define o preço futuro de um documento virtual qualquer, este documento tem seu preço alterado conforme lances de compra e venda são lançados num leilão pelos participantes. Quem conseguir vender por mais ganha, por menos perde; tudo calculado por velozes e seguros computadores. O nome deste jogo é Mercado Financeiro Contemporâneo e seu problema é que em sua plataforma virtual pessoas com necessidades básicas reais são afetadas.

       

        Em 1864, com a grande oscilação das ações e dos preços de produtos agrícolas foi criado um produto financeiro denominado hedge, o principal objetivo era garantir ao agricultor uma estabilidade no preço dos grãos independentemente de uma boa ou má safra; tal segurança que reduz o risco do vendedor e comprador consiste em formar um acordo prévio de quanto se pagará pelo produto assim se o preço cair o fornecedor não perde e se subir o comprador não é lesado. 

 
        Distorcendo o propósito inicial das operações hedge, os derivativos passaram a ser utilizado como apostas, onde um terceiro negociante se comprometia a adquirir o bem a um determinado preço caso; caso o produto estivesse mais caro que o preço combinado o negociante teria lucro, caso estivesse mais barato arcaria com um prejuízo. 
 
        Quando os volumes de tais negociações cresceram exponencialmente e dificultaram a movimentação física destes papéis fora criada uma política cash settlement onde toda transação poderia ser realizada sem apresentar o dinheiro ou o bem físico em si, em troca era possível oferecer apenas o saldo da conta corrente tornando este mercado algo completamente virtual.
 
        Devido ao grande poder especulativo os derivativos foram taxados de jogos de azar e proibidos na década de 30 nos EUA; contudo em 1970 com o fim do lastro do dólar pelo ouro o mesmo fora resgatado como ferramenta de controle de risco cambial. Myron Scholer, Fisher Black e Robert C. Merton definiram então uma formula para cálculo dos derivativos, esta formula que basicamente prevê o futuro de preços aleatórios foi adotada mundialmente e passou a ser aplicada a qualquer tipo de contrato gerando um mercado de U$520 trilhões de dólares, ou 20 vezes o PIB somado de todos os países do mundo juntos. 
 
        A brincadeira estourou em 2008 com a crise que revelou que a fórmula não considerava preços tão flutuantes, algo que já havia sido contestado por Benoît Mandelbrot em 1963. Para contornar a falta de juízo dos participantes foi então chamado o pai Estado a socorrer os mercados financeiros, que agora estudam se devem regular novamente o mercado de derivativos, regulamentação essa ainda sob análise.
 
 
        Pode parecer ridículo simplificar a isto, mas de 1970 até 2008, auge da crise financeira, enquanto os países ricos se divertiam no ganha e perde do jogo Mercado Financeiro Contemporâneo o mundo amargurava um índice de pobreza que em seu melhor resultado chegou a 25% de toda população mundial ou por volta 1,5 bilhões pessoas. Com o estouro da crise após 2008 a taxa de queda da miséria que vinha caindo incessantemente voltou a subir e milhares de novas pessoas voltaram para a lista de miseráveis e desempregados.

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