Especulação e Desvalorização da Moeda

Convicções podem causar crises cambiais.

“O único modo de não sofrer uma especulação à uma moeda é não ter uma moeda independente.” [Paul Krugman]

        O país era a Grã-Bretanha, a moeda a Libra Esterlina, o dia 16 de setembro de 1992; o megainvestidor George Soros lucrou mais de U$1 bilhão ao realizar um ataque especulativo de £10 bilhões de libra, forçando o governo britânico a aumentar a taxas de juros e desvalorizar a moeda.
       

        Crises cambiais foram uma realidade desde longos tempos, grande parte ocorria devido a pureza da moeda cunhada; com o advento do dinheiro e as seguidas guerras mundiais os governos se viram forçados a imprimir um dinheiro inexistente iniciando uma crise cambial global. Esta crise foi contornada com o acordo de Bretton Woods, que entre outras coisas incluiu uma taxa cambial global.

        Com o rompimento do acordo de Bretton Woodse maior oscilação das moedas, as crises cambiais se tornaram mais frequentes; nasceu então a oportunidade em se ganhar com a aposta de quedas e altas cambiais. Países costumem ter o valor de sua moeda nacional atrelada a uma moeda estrangeira para que seja permitido a comercialização entre países distintos, por exemplo o Brasil possui o Real atrelado ao Dólar. As nações também costumam possuir uma reserva internacional em moeda estrangeira, que é utilizada em casos de emergência, como por exemplo, a escassez da moeda para uma transação comercial internacional. 

        Uma desvalorização do Real pode ocorrer devido a retirada massiva de dólares do Brasil ou a impressão exacerbada de Reais pelo governo para por exemplo cobrir um déficit fiscal. Para evitar a desvalorização o Governo começa a vender suas reservas em Dólar mantendo um fluxo adequado da moeda no mercado; é quando entra o especulador que tenta adquirir toda a reserva internacional do Estado. Caso não tenha sucesso, o especulador troca o dinheiro novamente com uma perda mínima pois a taxa de câmbio não se alterou; já se for bem sucedido o governo é obrigado a desvalorizar o câmbio nacional, o que permite ao especulador utilizar as reservas internacionais recém compradas e lucrar em cima do novo câmbio desvalorizado.

        Inicialmente especuladores cambiais conseguiam atingir Estados cujos governos possuíam grande déficit fiscal. Contudo em 1992 ao perceber que Bancos Asiáticos emprestavam dinheiro no exterior a juros baixos para repassar a seus clientes com valores maiores gerando grande lucro, os especuladores também desvalorizaram o câmbio levando vários bancos a falência. 

        O Nobel da economia Paul Krugman foi quem criou o modelo matemático que provou como agem os especuladores cambiais, que atualmente conseguem atuar em praticamente qualquer brecha econômica: baixas reservas internacionais, crescimento de crédito, taxa de empréstimo internacional alta, perda de competividade no comércio internacional entre outros. É uma forma de terrorismo legal e impune que tem levado à morte, miséria e destruído o sistema econômico e industrial de países durante décadas pela pura e simples diversão em se ganhar dinheiro.

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