Crises Financeiras

Economias estáveis possuem sementes da instabilidade.

“O dinheiro é um véu por trás do qual se esconde a ação das forças econômicas reais.” [Arthur Pigou]

        Crises econômicas ou financeiras tratam-se de um assunto recorrente na história da humanidade. Não foram poucos os reinados e impérios que sucumbiram, contudo diferentemente dos dias atuais, as crises eram causadas por catástrofes naturais, guerras custosas ou escassez de recursos. Existe razão, para num mundo globalizado e tecnológico que goze de relativa paz, uma frequência tão grande de desastres econômicos?
       

        Adam Smith citou no século XVIII que crises são características inerente das economias, cuja estabilidade seria alcançada naturalmente; Keynes questionou, séculos depois durante a Crise de 1929, esta capacidade de estabilização autônoma, trazendo para o Estado a responsabilidade na retomada econômica. Irving Fisher, pouco depois, notou que depressões econômicas podem ocorrer após períodos de alta e estabilidade devido ao endividamento de cidadãos e governos.

        Em 1992, o economista americano Minsky estudou o capitalismo moderno, que era diferente de seu antecessor por coexistir com um sistema bancário que não mais busca juntar credores e mutuários, mas sim criar produtos ousados que gerem riqueza. Esta riqueza fictícia gerada à margem do controle governamental, levaram economias antes dominada pelo Estado ao domínio do sistema financeiro; domínio este que possui uma semente de auto destruição. 

        Segundo Minsky, o mercado gera confiança enquanto estável levando pessoas a assumir um maior risco; o consumidor que antes buscava crédito cuja renda própria é compatível passa a se sentir seguro a emprestar mais, pois embute no empréstimo a expectativa de ganhos com a valorização do bem adquirido. Ao transformar milhares de consumidores em mutuários especulativo, o mercado gera uma bolha de preços, que se mostra lucrável enquanto consumidores continuam alimentando o setor e assim como uma Pirâmide Ponzi chega-se a um ponto de instabilidade e desconfiança quanto a sustentabilidade; levando Bancos a evitarem empréstimo entre si e consequente falência das instituições menos robustas.

        Para Minsky, uma solução seria a participação do Banco Central como garantidor dos fundos de crédito, contudo tal ação pode levar os Bancos a criar produtos cada vez menos sustentáveis. O Estado também poderia assumir a dívida, pulverizando o custo aos contribuintes, contudo em tempos de crise o Estado geralmente está endividado, o que tornar esta opção cara ou inviável. Por fim, as criações de regulamentações rígidas para o mercado financeiro podem ser utilizadas para bloquear a criação de produtos inovadores que exercem grande risco.

        Bancos não são instituições à margem e sem utilidade para uma sociedade; um Sistema Bancário é útil ao aliar poupadores e empreendedores que podem gerar riquezas ou até turbinar uma sonolenta economia. Contudo, a medida que os juros são devastadores e seus produtos busquem a alavancagem numa geração fictícia de riqueza em curto prazo, torna-se necessário não apenas uma regulamentação mas muitas vezes a proibição de uma atividade.

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