René Descartes (1596 – 1650)

Há uma alma racional nessa máquina.

“Há uma grande diferença entre mente e corpo.” [Descartes]

“Penso, logo existo.” [Descartes]

        Nascido em La Haye na França; teve uma vida de saúde extremamente frágil por ter contraído tuberculose de sua mãe que faleceu poucos dias após o parto. Educado por Jesuítas desde os 8 anos – maior fonte de intelectuais da época – era adepto da meditação sistemática devido a sua fragilidade, onde usava o tempo para se dedicar à matemática, ciência e filosofia.
       

        Em IV a.c., os gregos discutiam a composição do Homem em corpo e mente. Platão descreveu o corpo como preso ao mundo material enquanto a mente seria eterna no mundo das ideias; seu discípulo Aristóteles apesar de enxergar duas entidades distintas, as julgava como inseparáveis, sendo a mente pertencente ao corpo.

        Apesar da influência e originalidade grega, Descartes ficou conhecido pelo seu dualismodo corpo e da mente justamente por descrever em detalhes a relação entre estas duas entidades; em sua obra De Hominedefiniu que a mente imaterial estaria instalada na Glândula Pineal, capaz de guiar o corpo através de Fluídos Animais que percorriam o sistema nervoso.

        Na concepção de Descartes, a Glândula Pinealera responsável por conectar corpo e mente em uma iteração bilateral; ao perceber os fluídos vagando do corpo ela trazia à mente o sentido de consciência enquanto também podia ativar o fluxo de fluídos fazendo com que o corpo se movimente. O Homem funcionaria de forma análoga a um sistema hidráulico, onde a água leva as ações a todas as extremidades, enquanto um encarregado é o responsável por controlar estas atividades; o encarregado no Homem seria então, o cérebro.

        A medida que a medicina e a psicologia evoluiu ficou claro que o cérebro também se trata de um órgão, o que indica que o cérebro é material sendo a mente e o pensamento uma atividade separada e hoje descrita como funções cerebrais. No entanto, a relação entre cérebro e função cerebral são tão dependentes – por exemplo um cérebro afetado fisicamente pode desregular as reações químicas e portanto afetar a capacidade de pensar – que muitos estudiosos preferem abordar cérebro e mente como uma única entidade.

        Apesar de atualmente existir uma Glândula Pinealem homenagem ao filósofo, esta não é a mesma proposta por Descartes e portanto não é portadora da mente ou alma, tampouco é a responsável pela relação corpo e mente. Em estudos recentes, fisiologistas perceberam que nossas ações são antecedidas por reações químicas no cérebro indicando que talvez não exista uma mente controlando o corpo de fato, o que nos remente ao pensamento inicial de Aristóteles onde corpo e alma seriam de fato inseparáveis. 

        Talvez, o que temos hoje de entendimento pela ciência que mais se assemelha ao conceito de alma seja o inconsciente, contudo este não é regido por nós mesmo (nossa consciência), e portanto, não seria possuidor de um livre arbítrio como muitos filósofos pregavam. O estudo da mente parece fortalecer cada vez mais a ideia de que somos durante toda nossa vida apenas marionetesou zumbis regidos pelo desconhecido que toma periodicamente uma consciência superficial e compreende apenas uma pequena parcela do que acontece dentro do nosso próprio corpo.

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