Abade Faria (1756 – 1819)

Dormez!

“Nada vem do magnetizador, tudo bem do sujeito e acontece em sua imaginação.” [Abade Faria]

“A hipnose é a forma mais eficiente de deixar de fumar, de acordo com a maior comparação científica já realizada.” [New Scientist]

        Nascido em Portugal, viveu com o pai após a separação de sua mãe, onde ambos estudaram para ser padre. Estupefato com uma ajuda motivacional de seu pai em uma passagem particular da vida se interessou pelo poder da sugestão. Mudou para a França, onde desempenhou papel importante na Revolução Francesa, e realizou performances teatrais de indução ao transe, o que abalou sua reputação como filósofo.


       

        Desde há milhares de anos, existiram culturas adeptas da cura através da indução ou sugestão durante um estado de transe; na Grécia e Egito por exemplo, tais procedimentos eram realizados por sacerdotes especializados que induziam o paciente ao sono. O filósofo e médico Ibn Sina, também conhecido por Avicena, foi o primeiro a estudar e documentar os estados do transe; contudo tal prática caiu em desuso até o século XVIII, quando o alemão Franz Mesmer utilizou imãs para magnetizar e induzir os pacientes.

        Abade Faria estudou os trabalhos de Mesmer, onde concluiu que o imã ou magnetizador não possuía influência alguma no estado de transe, sendo este fenômeno dependente exclusivamente do estado de relaxamento do indivíduo. Para o abade, o papel do hipnotizador seria de um facilitador na concentração que auxilia o paciente a relaxar e entrar em transe; podendo posteriormente realizar sugestões ou induzir a curas.

        Posteriormente o cirurgião escocês James Brad cunhou o termo hipnose – condição de sono – onde também percebeu que a hipnose é na verdade um estado de concentração do indivíduo em uma ideia que o leva facilmente a aceitar de sugestões ou induções. Décadas depois, Jean-Martin Charcot utilizou o hipnotismo sistematicamente para tratar histeria traumática, e Josef Breuer e Sigmund Freud questionaram as motivações do indivíduo hipnotizado, levando-os a descobrir o poder do inconsciente.

        Sempre percebi a hipnose com certo desdém, arriscaria até a dizer com uma certa chacota. Contudo o poder do inconsciente descrito por Freudaliado a obra “Domínio de si mesmo pela autossugestão consciente” do psicólogo francês Emile Coué me levaram a acreditar que se trata de uma técnica no mínimo aceitável.

        Emile Coué foi quem descobriu através de meios científicos os resultados efetivos do efeito placebo – aquele em que o paciente se cura tomando “falsos” remédios. Se podemos nos curar quando somos enganados por nossa própria mente porque não aceitaríamos que possamos ser curados pelo transe e sua indução? Ainda mais quando grande parte das enfermidades estão diretamente relacionadas ao desequilíbrio da mente. Talvez passar por uma experiência de hipnose seja mais interessante que imaginava.

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