Søren Kierkegaard (1776 – 1841)

Ser quem realmente somos.

“O indivíduo, na sua angústia de não ser culpado mas de passar por sê-lo, torna-se culpado.” [Kierkegaard]

“A vida não é um problema a ser resolvido, mas uma realidade a ser experimentada.” [Kierkegaard]

        Nascido de uma próspera família dinamarquesa, se dedicou apenas ao estudo após receber uma generosa herança. Não se casou por acreditar não ser talhado ao matrimônio, foi uma pessoa extremamente solitária e melancólica até sua morte após um colapso mental.
       

        Em 500 a.c. Sócrates já questionara: Quem sou Eu? Crente de que a filosofia poderia, através da autoanálise e autoconhecimento, tornar o indivíduo mais feliz; cunhou a frase “uma vida irrefletida não vale a pena ser vivida”. Søren Kierkgaard, em sua obra O Desespero Humano, considerou a autoanálise uma ferramenta para entender o desespero, que era na definição do autor, uma alienação do Eu. 

        Para o autor, um primeiro nível de autoconhecimento era a ignorância, onde um indivíduo totalmente desconhecedor do seu Eu não tem consciência alguma de seu potencial, o ignorante pode ser tão alheio ao seu Eu que talvez nem seja possível classifica-lo como em estado de desespero

        O desesperoportanto, era resultado de uma consciência aguçada de si, aliado a uma aversão do seu próprio Eu, as pessoas de desesperariamnão por falharem, mas por não aceitar o seu Eu que falhou. Paradoxalmente, uma pessoa que impõe desejos demais ao seu Eu e obtém sucesso no alcance destes desejos acaba por se livrar do seu Eu verdadeiro, e esta negação também lhe traz o desespero; pois chega-se a um ponto onde não se consegue ser mais Eu mesmo. 

        A solução para esse paradoxo capaz de trazer a paz, tranquilidade e harmonia seria o indivíduo exercer a coragem de assumir seu verdadeiro Eu ao invés de buscar um outro Eu qualquer, devemos ser capazes de aceitar a nossa própria natureza. Considerado um dos primeiros filósofos existencialistas, influenciou psicólogos como por R. D. Laing e Carl Roger, que utilizaram a análise de conflitos internos como terapia.

        Numa primeira análise, a receita de Kierkgaard parece seguir o modelo de autoajuda atual: fácil de entender e difícil de seguir; contudo uma observação mais detalhada traz à tona as primeiras dificuldades na fase de entendimento. A primeira delas consiste em como tomar consciência do seu verdadeiro Eu, encontrando de fato o que exprime sua própria natureza já que vivemos num mundo amplo e vasto em que somos ignorantes em quase todos os assuntos, o que torna complexo identificar e entender o que sacia a mente. A segunda dificuldade está em manter uma constante adaptação e entendimento do Eu próprio, já que este se transforma durante diferentes etapas ou até em momentos distintos da vida. 

        Mesmo se superada parcialmente a primeira etapa de entendimento, ainda resta a dificuldade em como se tornar um Eu verdadeiro em um mundo cuja sociedade dita e julga padrões de comportamento, levando o indivíduo a balancear a integridade do seu Eu com a necessidade de manter laços afetivos e sociais com as pessoas próximas ou que se ama.

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