Alfred Binet (1857 – 1911)

A inteligência individual não tem uma quantidade fixada.

“Eu não queria criar um método de medição… mas apenas um método de classificação dos indivíduos.” [Binet]

“Há na inteligência… um agente fundamental cuja falta ou alteração é de grande importância para a vida política: juízo.” [Binet]

        Nascido em Nice, na França; mudou-se para Paris após a separação dos pais, onde estudou direito e posteriormente psicologia. Tornou-se diretor do laboratório de Psicologia Experimental de Sorbonne e morreu precocemente aos 54 anos.

       

        Darwin sugeriu uma inteligência herdada; seu primo Galton concluiu que a inteligência se determina no nascimento em uma pesquisa com 8 mil londrinos. Wundt citou um quociente de inteligência, que inspirou James Cattel, que formou a base para algumas teorias de Binet.

        Binet buscou encontrar diferentes inteligências em grupos distintos: matemático, artistas, escritores, etc. Também nutriu interesse pela Inteligência funcional de crianças, ao perceber que determinadas capacidades só surgem em idades específicas. Com a obrigatoriedade do ensino infantil na França em 1899, Binet foi convidado a avaliar crianças com defasagem mental para que se formulasse um currículo adequado; o resultado de seu trabalho foi uma ferramenta que pudesse classificar uma criança como deficiente ou normal.

        Théodore Simon, juntou-se ao pesquisador criando a ferramenta Benet-Simon, uma série de testes com diversos níveis de dificuldades que devem ser aplicados de forma controladas para identificar a deficiência ou normalidade de uma pessoa. O autor sempre reforçou que seus testes são restritos em comparar crianças em idades semelhantes além de avaliar momentaneamente o indivíduo, pois era crente de que a inteligência era uma mistura de facetas controladas pelo juízo, onde o desenvolvimento mental progride em ritmos diferentes sendo influenciado pelo ambiente e apenas um acompanhamento de uma vida toda permitiria uma análise precisa da inteligência.

        Goddard, psicólogo americano, tomou conhecimento dos testes Benet-Simon e os utilizou para identificar deficientes e propor uma esterilização compulsória para erradicação da demência. Lewis Terman, criou a escala Standford-Benet cujo objetivo era identificar a vocação das crianças definindo seu futuro profissional. Ambos, Goddard e Terman, acreditavam numa inteligência herdada cujos esforços educacionais não seriam capazes de promover alterações. Benet condenou as ideias “enxertadas” em sua ferramenta e o resultado de seus trabalhos formaram a base do que hoje entendemos por testes de QI, e que apesar de conter defeitos influenciou inúmeras pesquisas na área da psicologia.

        Participei de um teste vocacional aos 16 anos, época de Warcraft II e fanatismo pelas histórias das grandes guerras da humanidade; o resultado foi a inclinação para atividade militar ou esportes de alto riscos. Por não perceber nenhuma afinidade com a área, tomo este exemplo como uma amostra de que uma medida momentânea não deve ser utilizada para “condenar” o indivíduo a uma profissão pelo resto da vida. 

        Interessante também o fluxo incorreto de interpretação dos estudos científicos: de Darwin para Galton, para Wundt, para Cattel, para Benet para esterilização de dementes. Quantas teorias erroneamente interpretadas, estão hoje mundo a fora sendo aceitas como verdades e ainda são utilizadas para definir regras que pregam a verdade absoluta em nossa sociedade?

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s