Pierre Janet (1859 – 1947)

O inconsciente vê os homens por detrás das cortinas.

“Estas pessoas são perseguidas por algo, e é preciso investigar cuidadosamente para chegar à raiz da questão.” [Janet]

“A despersonalização nos leva a condição extraordinária de dupla consciência, mais corretamente descrito como dupla personalidade.” [Janet]

        Nascido em Paris na França, estudou medicina e filosofia. Tornou-se professor de Filosofia e Psicologia além de dirigir o laboratório de Charcot no Hospital Salpêtrière onde ampliou seus estudos sobre histeria.
       

        Jean Charcot, em 1878, descreveu os sintomas da histeria como de origem biológica. Entre 1880 e 1910 houve um maior interesse pelo entendimento da dissociação– processos mentais que separam o indivíduo de sua personalidade cotidiana. A dissociação moderada é comum e afeta muitas pessoas, principalmente quando sujeita a drogas, álcool ou febres; em casos mais graves leva o indivíduo a dupla personalidade ou ao também chamado distúrbio de identidade dissociativa.

        Janet foi o primeiro a descrever a dissociaçãocomo um problema de origem psiquiátrico e acompanhou diversos pacientes no Hospital Sapêtrière. Notou que as personalidades escondidas podem vir à tona repentinamente, sendo mais fácil enquanto sujeito a hipnoses; percebeu também que estas personalidades poderiam ter conhecimento e memórias sobre as outras residentes em um mesmo corpo. 

        Alguns traumas ocorridos na infância podem ser armazenados no subconsciente, contudo as emoções que dela florescem são sentidas fortemente sem que o indivíduo possa explicar conscientemente o porquê. Estas dissociações seriam mais comuns em pessoas predispostas.

        Apesar de descordarem ao nomearem a parte involuntária da mente, Janet chamou de subconsciente enquanto Freud de inconsciente, ambos concordaram que a dissociação é um mecanismo de defesa do corpo. Janet não obteve crédito durante sua vida por fazer uso da hipnose como ferramenta, algo que estava em descrença pela comunidade científica na época.

        Quantas vezes não estamos em um estado onde algo no corpo parece incomodar e no entanto, não sabemos sequer explicar as razões; aquela sensação de já conheço este lugar ou já fiz isso antes; todos podem ser fruto do nosso inconsciente que ao interferir no cérebro geram emoções e sentimentos vivos e perceptíveis. 

        Se todos estamos sujeito à interferência do inconsciente, poderia dizer que os finais de semana durante minha graduação foram praticamente movidos pela “dissociação alcoólica”, e o meu outro Eu era bem mais avesso aos limites morais e sociais. Se conectarmos Janet à James, que defendia a consciência como um mecanismo de sobrevivência, temos como resultado um bom motivo para não nos mantermos dopados e nos cuidarmos ao utilizar qualquer tipo de droga que seja; afinal de contas é o consciente, e não as personalidades do inconsciente quem possuem a capacidade de manter um corpo íntegro e uma vida saudável.

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