Fritz Perls (1875 – 1961)

A verdade só pode ser tolerada se descoberta por contra própria.

“Aprender é descobrir que algo é possível.” [Perls]

“Quem precisa que os outros lhe deem incentivos, elogios e tapinas nas costas, faz dos outros os seus juízes.” [Perls]

        Nascido em Berlim, estudou medicina e especializou-se em psiquiatria. Fundou em conjunto com sua esposa o Instituto Desencantados na África do Sul. Mudou-se para os EUA e posteriormente ao Canadá onde também fundou um Centro de Terapia.
       

        A filosofia de Immanuel Kant, que pregava um conhecimento limitado à própria mente e sentido foi a base influente para a Gestalt-Terapia; onde todas experiências humanas, desde suas tragédias até as paixões, são selecionadas e filtradas por nossas “lentes”individuais; a realidade do Homem nada mais é aquilo que enxergamos através destas lentes, e não os eventos como de fato ocorreram em si. No final cada um é dono de Sua própria verdade absoluta.

        Perls propôs um tratamento que requer a responsabilização do paciente pelas suas próprias experiências, não divagando o problema apenas ao incontrolável inconsciente. O poder do indivíduo era tanto que seria possível controlar suas experiências internas independentemente do ambiente externo ao que fora submetido. A terapia buscava formar um indivíduo com estabilidade emocional e com poder em suas percepções a ponto de poder moldar sua própria realidade. Conhecer a si mesmo traria mais crescimento que feedbacks ou método analíticos aplicados por terceiros.

        As ferramentas da Gestalt-Terapiaenvolviam o uso do consciente no controle de sentimentos e emoções além do uso da linguagem buscando a responsabilidade pelos atos e falas durante qualquer comunicação, ao invés de encobertá-los em justificativas ou até mesmo atribui-lo às pessoas. Estes simples procedimentos seriam capazes de formar pessoas autênticas, livres da influência da sociedade e com controle total de suas vidas. 

        A importância em se formar o próprio Ela, com suas crenças, desejos e filosofia, consiste em tornar mais simples e fácil suportar uma vida cuja verdade o próprio indivíduo concebeu. A ênfase da Gestaltveio de encontro com a contracultura que explodiu na década de 60, e apesar de criticada por promover o individualismo e minimizar a qualidade dos relacionamentos, viu sua utilização explodir na década de 70 e cair em desuso posteriormente dando lugar a novas metodologias.

        Parece claro que ao submeter cada aspecto de sua vida ao juízo ou apreço alheio a pessoa se condiciona a ter uma vida que não construiu ou se quer deseja de fato. Contudo mergulhar em uma verdade criada por si mesmo é desperdiçar a oportunidade de maior aprendizagem com outros que podem possuir uma verdade mais bela ou até mesmo mais interessante. Não me parece tão impossível assim alcançar a realização pessoal em verdades que não criamos, mas mesmo assim acreditamos. Ser o motorista da própria vida é tão importante quanto ser capaz de escolher a estrada certa, ou talvez sendo mais realista a menos esburacada.

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