Aaron Beck (1921 – )

Há mais na superfície do que nosso olhar alcança.

“Cheguei à conclusão que a psicanálise é uma terapia que se baseia na fé.” [Beck]

“Corrigindo crenças equivocadas, podemos minimizar reações exageradas.” [Beck]

        Nascido nos EUA, formou-se em medicina e especializou-se em psiquiatria. Desiludido com a psicanálise fundou o Beck Institute for Cognitive Therapy and Research, responsável por realizar pesquisas de terapias cognitivas no tratamento de doenças mentais.
       

        No início do século XX existiam duas vertentes da psicologia, a behavorista experimental e a psicanalítica clínica. Em meados do século XX a psicologia cognitiva começou a ganhar espaço e Aaron Beck apesar de praticar a psicanálise questionou sua validade pois não percebia uma melhora uniforme no tratamento aplicado em seus pacientes. 

        Percebeu que psicanalistas distintos usavam modelos distintos e que a reputação do profissional estava mais relacionada a sua empatia e carisma do que suas habilidades e sucesso em tratar os pacientes. Finalizou por comparar a psicanálise ao movimento evangélico, ou seja, algo irresistível baseado na fé.

        Beck decidiu portanto, realizar experimentos durante suas sessões de tratamento aos depressivos e notou que o uso do inconsciente não trazia os resultados esperados. Ao perceber que o paciente possuía uma visão negativa de si mesmo e pessimista com relação ao mundo passou a aplicar modelos cognitivos para ajuda-los a entender o quão realistas eram suas percepções.

        Concluiu, através de seus experimentos, que manifestações imediatas forneciam todo insumo necessário para a terapia, sendo o principal trabalho do psicanalista, confrontar as perspectivas do paciente mostrando racionalmente a sua visão distorcida. Não só conseguiu resultados como coletou provas empíricas criando uma sistemática para a avaliação de pacientes que permitia monitorar o progresso e evolução da terapia.

        Claramente influenciado por Albert Ellis; Aaron Beck buscou o sucesso da terapia e não do terapeuta. O seu descrédito para com o inconsciente foi expandido em todos outros distúrbios mentais que o psicólogo tratou incluindo a esquizofrenia. Beck publicou todos seus dados científicos e metodologias; seus indicadores BDI, BSS e BAI são amplamente utilizados para identificar a escala de depressão, probabilidade de suicídio e nível de ansiedade de muitos pacientes até hoje.

        Quando li sobre Freud tive a certeza de que a psicanálise não era uma metodologia científica a ser aplicada e seus resultados estariam atrelados diretamente a qualidade do psicanalista. Contudo não ousaria a comparar a psicanálise a um movimento de fé, Freud baseou-se em lógicas consistentes, foi criativo e usou de genialidade em sua concepção. Do mesmo modo não desmereço a capacidade que um bom pastor em influenciar positivamente o seu rebanho. 

        A psicanalise de Freud e a psicanalise de Beck, mostram um pouco do que existe hoje no mundo corporativo, que é a necessidade em garantir o sucesso de uma atividade independente de quem a realize através de metodologia e processos definidos. Sempre vão existir Freuds cujo resultado vêm da capacidade exaltada e sempre existirão Becks cujos resultados vêm da sistemática aplicada; não existe o certo ou o errado, o melhor ou o pior, devemos aprender a extrair o melhor de ambos os casos.

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