Boris Cyrulnik (1937 – )

Nossa história não determina o nosso destino.

“A resiliência é a capacidade da pessoa de crescer diante de problemas terríveis.” [Cyrulnik]

“Tomografias mostram que crianças traumatizadas podem ser curadas. Em condições apropriadas a cura pode ocorrer em um ano.” [Cyrulnik]

        Nascido na França, teve sua família biológica levada para Aushwitz e sua família adotiva o entregou aos nazistas em troca de uma recompensa. Conseguiu escapar e trabalhou até os 10 anos em fazendas até que foi levado a um orfanato. Autodidata estudou medicina na Universidade de Paris, e posteriormente psicanálise e neuropsiquiatria; dedicou sua carreira no atendimento a crianças traumatizadas.
       

        É comum o comportamento depressivo e desesperançoso após uma tragédia na infância, Freud afirmou que pessoas podem se agarrar a estas tragédias inconscientemente vivendo em angústia, ansiedade e pesadelos; levantou-se a hipótese que alguns traumas poderiam até transcender a resiliência genética, social e psicológica. Cyrulnik percebeu que algumas pessoas conseguem reverter o quadro e superar traumas realmente devastadores e buscou entender, portanto, estas reações se dedicando a estudar a resiliência psicológica.

        A resiliêncianão seria uma característica pessoal mas uma construção do indivíduo através do que aprendemos e sentimos na relação uns com os outros. Em suas pesquisas, notou que emoções positivas, bom humor, além da capacidade de encontrar sentido nas dificuldades são essenciais para a resiliência; a capacidade de enxergar um futuro generoso em um presente desastroso seria o grande diferencial. 

        Contrariando o senso comum, afirmou que baixa emotividade não auxilia na resiliênciasendo o modo como a emoção é aplicada o fator fundamental; ao utilizar a dor como um desafio a ser superado e seguir-se adiante pode-se superar e recuperar totalmente de um trauma.

        Seus estudos mostraram que crianças traumatizadas possuem uma redução dos ventrículos e do córtex cerebral, estes danos podem ser recuperados caso a criança seja amada e apoiada. Afirmou que o trauma é caracterizado por dois aspectos: o dano e a representação do dano; ressaltou a importância em não rotular a criança como vítima pois a interpretação do trauma por um adulto pode ser mais humilhante que o dano em si. Um rótulo pode ser mais prejudicial e condenatório que os fatos consumados.

        As pesquisas de Cyrulnik comprovam que dar dignidade é essencial contudo não é o suficiente, é necessário encontrar o equilíbrio entre ajudar e apoiar sem humilhar, o equilíbrio em suportar fornecendo uma base de apoio mas não criar o sentimento de favorecimento. Talvez, um dos grandes fatores de rejeição em adoções, que estima-se em mais de 10% dos casos, seja o tratamento diferencial ou até mesmo rótulo atribuído à criança. Estudos também mostram que superar traumas em conjunto com pares que passaram por uma tragédia semelhante ou pela inserção em uma comunidade receptiva, ampliam as chances de se vencer o problema.

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