Virginia Satir (1916 – 1988)

Família é a “fábrica” onde as pessoas são feitas.

“Curando a família Eu curo o mundo.” [Virginia Satir]

“Não podemos deixar a percepção limitada de outras pessoas nos definir.” [Virginia Satir]

        Nascido nos EUA, filha de pai alcoólatra estudou para ser professora e por interesse na autoestima infantil estudou sociologia. Perdeu a audição por 2 anos, fato que estimulou seus outros sentidos a entender outros tipos de forma na comunicação em uma relação.
       

        A crença de que as pessoas são formadas pelo ambiente são históricas; Harry Sullivan publicou em sua obra A teoria interpessoal da psiquiatria um estudo que reforça o indivíduo como um subproduto do meio em que vive. Virginia Satir descreveu que a personalidade que desempenhamos como adultos são reflexos de papéis que assumimos durante a infância, reforçou que quanto maior a demonstração de afeto e reciprocidade maiores as chances de um adulto saudável se formar. 

 
        Quando a afeição não pode ser demonstrada na infância, a criança assume uma personagem e passa a encená-la. Existiriam cinco possíveis papéis; o acusador é aquele que sempre encontra falhas e críticas para ocultar seu sentimento de desmerecimento; o computadorbusca refúgio no intelecto para não revelar seus próprios sentimentos; o distraidordesvia o foco de si mesmo e busca aceitação através da ingenuidade; o apaziguadorpede desculpas constantemente e está sempre buscando agradar para que receba aprovação; o nivelador é aquele que se comunica honestamente, expondo seu interior de forma aberta e direta. O niveladorseria o único que constrói uma relação saudável, todos outros se escondem em personagens e mascaras para ocultar seus verdadeiros sentimentos.
 
        Salientou que os papéis vividos durante a infância podem até ser convenientes na formação de uma família contudo podem talhar adultos com falsas identidades; a única solução seria a comunicação honesta nos relacionamentos, onde o amor e sentimento de aceitação seria os fundamentos básicos para curar qualquer família disfuncional. Em suas terapias, Virginia criava vínculos com os pacientes e os incentivava a praticar reciprocidade, amor e afeto através de simulações.
 
        A concepção de que uma criança forma o adulto é tão verdadeiro fisiologicamente, que não poderia deixar de ser verdade mentalmente sendo o cérebro um órgão do corpo. Se durante a infância fazemos nossas principais descobertas, e o cérebro é responsável pela capacidade de armazenar, rotular e reconhecer padrões parece ser evidente que a família é ainda a principal forma na gigantesca fábrica de cidadãos. 
 
        Para identificar a sociedade de amanhã é necessário perceber as prioridades e ansiedades da família de hoje. Infelizmente famílias como a de Fabiano e Sinhá Vitória do livro Vidas Secas de Graciliano Ramos não possuem a oportunidade de trabalhar a compaixão e o amor enquanto lutam pela sobrevivência e são esmagados por um mundo do qual são ignorantes. O mesmo é verdade para famílias abastadas que educam crianças para alcançar o sucesso individual e a busca pela felicidade na aquisição e experimentação do mundo sem se importar com os outros.
 
        Questiono também as teorias de amorosidade inata do Ser Humano onde muitos afirmam que nossa essência é amar e ser amado, não imagino o macho pré-histórico que ditou nossa evolução por milhões de anos como um pai amoroso ou dengoso assim como o rótulo exibido atualmente. 
 
        Talvez a mulher sempre fora o elo da família responsável por fazer florescer o sentimento de amor e compaixão, se isto for verdade, qual seria a perspectiva na formação de uma sociedade mais afetuosa no futuro? Onde mulheres são forçadas e pressionadas, cada vez mais, a mostrar e vivenciar seu lado “masculino” cotidianamente no mercado de trabalho.

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