Donald Broadbent (1926 – 1993)

Podemos ouvir apenas uma voz de cada vez.

 

“Nossa mente é como um rádio que recebe muitas frequências ao mesmo tempo.” [Broadbent]

“Quando ouvimos dua vozes, selecionamos apenas uma, sem levar em conta se o que está sendo dito é correto, e ignoramos a outra voz.” [Broadbent]

        Nascido na Grã Bretanha, entrou para a Força Aérea onde treinou para piloto e estudou Engenharia de Aeronáutica. Posteriormente estudou psicologia e lecionou em Oxford até se aposentar.
       

        A Grã Bretanha não acompanhava os avanços da psicologia até que Donald Broadbent acompanhado por Frederic Barlett focou-se na psicologia experimental. Atuando na Unidade de Psicologia Aplicada utilizou sua experiência como piloto de avião somada a psicologia para produzir aeronaves mais simples de pilotar.

        Percebeu que grande volume de informação facilitavam a execução incorreta dos procedimentos e mesclou o modelo cerebral natural ao artificial concebido por matemáticos para entender o funcionamento dos processos mentais humanos.

        Seu primeiro experimento buscou fornecer provas da incapacidade humana em absorver muitas informações onde notou que a absorção funcionava como um filtro que bloqueava alguns canais em detrimento de outros. Para identificar em qual etapa do processo mental os filtros eram aplicados desenvolveu experimentos que o levaram à evidência da memória de curto prazo onde seria decidido se a informação recebida seria compreendida ou não. 

        Inicialmente notou que o filtro das informações recebidas não era aplicado com base na semântica ou conteúdo da informação mas sim na sua clareza de sintaxe, sendo o Homem capaz de se concentrar conscientemente em um único determinado canal. Contudo experimentos posteriores mostraram que a concentração poderia ser desviada inconscientemente caso detectado algum padrão de informação de interesse em outro canal, levando-o a romper totalmente com o canal anterior. Tal fato levou o cientista a rever seu modelo de não influência da semântica na recepção de informação.

        Apesar de pouco lido por leigos teve amplo aceite em outras disciplinas científicas justamente pelo rigor quanto as evidências e um modelo mental comparável ao de computadores eletrônicos, um assunto em evidência na época. Sua obra Perception and Communications tornou-se um marco para a psicologia cognitiva. O pesquisador foi um grande patrocinador de pesquisas cognitivas na Interação Homem Máquina e seu modelo mental somado a suas linhas de pesquisas sustentam até hoje resultados práticos e aplicados.

        Broadbentteve grande apoio financeiro por trazer o impacto do estresse, ruído e do calor no ambiente de trabalho, seus estudos demonstraram como uma preocupação cognitiva pode elevar a produtividade e o melhor aproveitamento dos trabalhadores. Infelizmente este assunto ainda carente de investimentos, onde se percebe uma adoção de soluções empacotada por empresas que copiam o comportamento uma das outras mesmo com perfis totalmente distintos. 

        Ao se atribuir modelos artificias ao funcionamento do cérebro acabamos por mecanizar o Homem ainda mais, e esta reflete diretamente nas metodologias de ensino das escolas e industrias.  A influência tecnológica na psicologia e vice-versa tende a trazer uma convergência de características únicas que muito provavelmente não são verdades. Somos o resultado de uma evolução de milhões de anos e a aceitação em sermos moldados pela influência do comportamento mecanizado de tecnologias que evoluíram por algumas décadas me parece ser o caminho inverso ao ser seguido. 

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