Elizabeth Loftus (1944 – )

Algo em que acreditamos piamente não é necessariamente verdade.

“A memória humana não funciona como um gravador ou uma filmadora.” [Loftus]

“Promete dizer a verdade, nada além da verdade, e tudo no que acredita que lembra?” [Loftus]

        Nascida nos EUA, estudou matemática e psicologia. Iniciou suas pesquisas em Stanford e lecionou nas Universidades de Washington e Califórnia. É a mulher mais bem colocada no ranking de dados psicológicos científicos.
       

       Freud afirmou que a mente nos protege ocultando pensamentos inaceitáveis, processo que nomeou de recalque. Elizabeth iniciou seus estudos em uma época que a memória de longo prazo estava em evidência, focando-se na recuperação de lembranças reprimidas. 

        Seguindo o pensamento científico existente, questionou a possibilidade do Homem em resgatar com precisão lembranças traumáticas tendo em vista que até as comuns eram distorcidas; em seus experimentos notou que as lembranças de pessoas podem ser influenciadas pelas perguntas direcionadas à elas. 

        Ao questionar por exemplo, sobre a batida, colisão ou choque entre veículos percebeu que a intensidade da velocidade relatada fora diferente, até mesmo fatos que não ocorreram poderiam ser lembrados se instigados corretamente. Concluiu que informações equivocadas podem ser plantadas na memória de qualquer observador causando grande impacto no processo judicial, o que mudou a importância e peso das testemunhas em julgamentos.

        Envolveu-se com psicologia forense auxiliando no relato de abusos sexuais, conseguiu reverter uma condenação judicial ao mostrar que a testemunha relatara memórias postiças mesmo que agindo conscientemente de forma honesta. A repercussão de seu trabalho gerou críticas que a levaram a novos experimentos e em um deles mostrou que 25% das pessoas lembravam de histórias não verdadeiras e 20% não acreditavam que a mesma era postiça mesmo depois de relatadas. 

        Por ética, privou-se da realização de experimentos com pessoas traumatizadas, contudo sugeriu que os resultados obtidos seriam semelhantes. No entanto, alguns colegas realizaram experimentos com vítimas de tiroteios e não obtiveram sucesso na implantação de falsas memórias através de questionamentos tendenciosos.

        Loftus esclareceu que seu principal objetivo foi o de alertar que testemunhas podem se enganar mesmo que agindo honestamente, além de claro, alertar que métodos de regressão e hipnoses onde o poder da sugestão e suas influências são ainda maiores. Seus trabalhos impactaram não só em julgamentos mas também geraram processos morais em massa por pacientes que alegaram ter tido suas memórias falsamente plantadas por possíveis terapeutas charlatões.

        Um experimento psicológico dificilmente será exato, pois não é possível observar com clareza o interior da mente humana; é possível portanto que muitos das falsas memórias tenham sido confirmadas por pura empatia dos entrevistados. Nem mesmo memórias recuperadas com clareza podem refletir a verdade integralmente pois é comum sermos enganados por nossas próprias certezas que são alteradas com o chegar de cada lembrança extra que é resgatada. 

        É factível acreditar que uma mente capaz de registrar novas informações seja também capaz de atualizar as já existentes ou até mesmo apaga-las de forma inconsciente. Se podemos resgatar informações de mofo falho, porque acreditar na possibilidade de armazená-las incorretamente?

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