John Bowlby (1907 – 1990)

Os vínculos emocionais da primeira infância são parte essencial da natureza humana.

“O amor materno na primeira infância é tão importante para a saúde mental quanto vintaminas e proteínas para a saúde física.” [Bowlby]

“Manter vínculos é um comportamento que caracteriza os seres humanos desde o nascimento até sua morte.” [Bowlby]

        Nascido em Londres, estudou psicologia e medicina. Trabalhou no Corpo Médico do Exército Real durante a Segunda Guerra, tornou-se diretor da Clínica Tavistock onde ficou até se aposentar.

        Até meados de 1950 prevalecia a teoria Freudianado amor interesseiro, onde bebês se apegam a qualquer um capaz de satisfazer suas necessidades fisiológicas; Bowlby refutou tal afirmação afirmando que bebês são geneticamente programados para criar vínculos à sua mãe afim de garantir o próprio sustento. Do mesmo modo, as mães são geneticamente programadas para cuidarem de sua cria. 

        Afirmou que recém nascidos se apegam a uma figura materna criando um vínculo diferente de qualquer outro que será construído na vida, se interrompido ou destruído, este pode trazer consequências graves a duradouras.

        Bowlbyfoi convidado pelas Nações Unidas para trabalhar com órfãos da Segunda Guerra Mundial. O resultado de seu trabalho foi seu relatório Cuidados Maternais e Saúde Mental onde mostrou que grande parte das crianças apresentavam algum retardo intelectual, emocional ou social. 

        Notou que a ausência materna pode gerar psicopatia insensível onde crianças mostram predisposição a delinquência, comportamento antissociais e ausência de remorso; justificou explicando que o vínculo materno é o primeiro e serve como referência para outras relações de afetos. Reduziu o papel do pai, que possuía uma relação de convenção social menos intensa que a biológica.

        Seus estudos sofreram críticas, outras pesquisas mostraram que homens são capazes de criar vínculo afetivo com recém nascidos e também que o bebê é capaz de criar vínculos com várias pessoas. Tal fato gerou um alívio social, pois tratava-se de uma época onde mães estavam trocando os cuidados do lar para se aventurar no mercado de trabalho. 

        Suas pesquisas possibilitaram novos estudos sobre a influência do vínculo infantil na vida adulta, além de ter popularizado o tema da adoção e melhor cuidado infantil em instituições especializadas.

        Podemos questionar Bowlby se a delinquência juvenil seria formada pela falta do afeto no primeiro vínculo ou se seria apenas a não imposição de limites de uma família nuclear tradicional, contudo é inegável os benefícios da presença da mãe, que hoje são restringidos por uma licença legal de 4 meses, período no qual não é possível nem mesmo desmamar a cria. 

        Alguns casais, felizmente podem optar e contar com o auxílio de familiares cuja afeição e carinho se assemelham ao dos pais. Contudo a principal alternativa atual para repor o vínculo materno consiste na inscrição dos bebês em “escolinhas”, um nome pomposo para instituições que pagam mal seus funcionários e que prestam apoio pedagógico para crianças com menos de três anos de vida. É nada menos que uma empresa, cuja lucratividade exercida através de preços altos e custos baixos são a essência de sua existência.  
        Países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento ainda não venceram o tabu do apoio materno, preferem mães e pais angustiados no trabalho do que o fornecimento de um horário flexível que os permita desempenhar com sucesso ambos papéis profissional e familiar. 

        O resultado perceptível é o de uma desigualdade gigantesca onde quem tem mais fornece um apoio pedagógico de excelência contra os que tem menos e no máximo conseguem alguém que auxilie a criança a satisfazer suas necessidades fisiológicas. Independente do preço, a quebra do vínculo existe e pode ser impactante.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s