Kenneth Clark (1914 – 2005)

Quem ensina as crianças a odiar e temer alguém de outra raça?

“A segregação é a maneira como a sociedade diz a um grupo de seres humanos que eles são inferiores.” [Clark]

“Quem ensina as crianças a odiar e temer alguém de outra raça?” [Clark]

        Nascido no Panamá, se mudou para o Harlem nos EUA ainda novo, onde concluiu seu mestrado em Howard. Ele e sua esposa foram os primeiros negros a se tornarem doutores em psicologia pela Universidade de Columbia, Clark foi também o primeiro professor universitário negro e o primeiro negro a assumir a presidência da Associação Americana de Psicologia.
       

        Em 1930, Clark e sua esposa investigaram efeitos psicológicos por conta da segregação racial, criaram então o teste da boneca onde bonecas idênticas, exceto pela tonalidade da pele, eram entregues a crianças de três a sete anos. Percebeu-se que as crianças eram capazes não só de identificar a diferença de raça entre as bonecas mas também concluir qual era mais semelhante a ela mesma. 

        Ao indagar as crianças sobre a boneca mais bonita ou uma de preferência para brincar, percebeu que tantas crianças brancas quanto negras preferiam as bonecas bancas, o que representava para o caso dos negros um alto grau de rejeição à própria raça. Clark concluiu que os preconceitos formados pelas crianças advinham de valores sociais que as obrigavam a se identificar com um grupo em específico, ficou claro também que para as crianças as pessoas brancas eram preferidas e mais acolhidas na sociedade. 

        O psicólogo também notou que a influências na formação do preconceito eram repassadas por professores, programas de televisão, filmes e até história em quadrinhos. Contudo a maior parte do preconceito era formado pelos próprios pais, que apesar de não deliberar consciente repassa o preconceito sutilmente e inconscientemente.

        O trabalho de Clark acordou o mundo para aos problemas causado pela segregação, mostrando que ela impactava tanto os negros quanto os brancos. Atuou efetivamente para eliminar a segregação racial em escolas públicas, o que ocorreu em 1954 com o Movimento pelos Direitos Civis nos EUA.

        Três pontos me impressionaram nos estudos de Clark. O primeiro é a quão “branca” e “masculina” é a nossa ciência, dificilmente um cientista branco que nunca passou por um problema racial iria realizar um estudo que buscasse entender as patologias que uma segregação pode causar. 

        O segundo ponto é que os EUA a menos de um século atrás, mesmo sendo a maior potência econômica do mundo e quase a um século depois da aprovação da décima terceira emenda que eliminou a escravidão, ainda eram capazes de tratar negros como uma raça inferior. Ou seja, riqueza não está de modo algum relacionada a evolução social. 

        Por fim, o quanto se percebe de preconceito que são repassados pelos pais aos filhos, é o pobre ladrão, é o negro perigoso, é o nordestino vagabundo, é a mulher objeto, é o rico inteligente. Imagino que seja difícil controlar o que se fala na mesa do jantar ou na intimidade da família com os amigos. Talvez por isso deveríamos ter um tempo reservado para uma atividade familiar importante: deliberar claramente as crianças que apesar de não sermos todos iguais em cor, inteligência, gênero, e riqueza, o respeito e a dignidade devem ser universais.

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