Solomon Asch (1907 – 1996)

Quão forte é o impulso à conformidade social?

“Todos participantes que cederam a pressão subestimaram a quantidade de vezes que cederam.” [Asch]

“O membro de uma tribo de canibais aceita o canibalismo como algo adequado e digno.” [Asch]

        Nascido em Vasórvia, no Império Russo; se mudou para os EUA aos 13 anos onde graduou e doutorou-se. Lecionou no MIT e em Harvard onde orientou trabalhos importantes, ganhou o prêmio Distinguished Scientific Contribution da Associação Americana de Psicologia.
       

        Solomon Asch questionou se o Homem era de fato um ser autônomo; seus experimentos mostraram que nossa capacidade de conformidade com uma opinião dominante é superior aos nossos comprometimentos para com os próprios princípios. Em seus experimentos colocou participantes isolados em salas com um grupo de atores, eram então realizadas perguntas triviais e óbvias que eram respondidas antecipadamente e em comum acordo pelos atores para averiguar se o entrevistado sucumbiria a conformidade. 

        Os resultados mostraram que mais de 30% das respostas foram incorretas na tentativa de seguir o grupo e 75% dos entrevistados convergiram com o grupo numa resposta errada ao menos uma vez. Quando os atores não estavam presentes ou o voto do participante era secreto esta taxa caiu para menos de 1%. 

        A pesquisa também mostrou que os 25% dos participantes que não foram influenciados em nenhum momento eram pessoas íntegras e de personalidade forte; contudo mesmo estes afirmaram ter tomado a decisão em estado de angústia por ir numa direção contrária a da maioria. Em outros experimentos notou que um grupo de até três atores eram o suficiente para convencer o participante a tomar as decisões incorretas. 

        Psicólogos questionaram se os experimentos estavam relacionados ao momento cultural vivido pelos EUA na década de 50, contudo quando realizado em outras épocas mostrou resultados similares com pouca variação. Contudo ao aplicar o mesmo teste em países mais coletivistas, como os orientais onde o pertencimento ao grupo é valorizado, o que se percebeu foi uma conformidade ainda maior.

        Aschmostrou-se preocupado com o fato de pessoas inteligentes se conformarem com o grupo questionando valores e princípios próprios e de qualidade, pois isto poderia minguar os valores sociais e o papel da educação. Sua preocupação infelizmente foi confirmada mais tarde quando outros psicólogos mostraram que pessoas com bons princípios são capazes de atitudes cruéis quando pressionadas por grupos ou líderes.

        Em 1960 a prova estatística, não obstante científica; mostrou a “maleabilidade” do Homem através dos experimentos de Asch. Hoje, mais de 50 anos depois o que se percebe são corporações cujas decisões mais importantes são tomadas em grupo, onde em geral o gestor é o primeiro a dar sua opinião, o resultado é uma convergência supreendentemente óbvia. 

        Claro que não se deve abolir o debate e construção de uma solução coletiva, a riqueza levantada com uma maior participação de colaboradores é inegável. Contudo não deve-se começar uma importante decisão influenciando, mesmo que não intencionalmente, quem supostamente é o responsável por levantar uma perspectiva diferente sobre os fatos. Resumindo, subordinados devem opinar primeiramente.

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