Stanley Milgram (1933 – 1984)

As pessoas agem conforme as ordens que recebem.

“A obediência a autoridade não é uma particularidade da cultura germânica, mas um traço aparentemente universal do comportamento humano.” [Milgram]

“Durante a guerra um soldado não questiona se é bom ou ruim bombardear uma aldeira.” [Milgram]

        Nascido nos EUA, estudou ciência política e doutorou-se em psicologia em Harvard. Enquanto atuava em Yale realizou seu mais importante trabalho, lecionou na City University de Nova York até sua morte aos 51 anos de idade.
       

        No início da década de 60, o julgamento do nazista Adolf Eichmann gerou grande repercussão quando o condenado alegou que seus atos foram realizados por estar apenas cumprindo ordens. O assunto levantou questões quanto a obediência às autoridades dos povos germânicos bem como aguçou a curiosidade de Milgram sobre o quão longe pode ir o ser humano em sua obediênciae no cumprimento da ordem.

        Em seu experimento mais importante contratou homens de diversas posições profissionais, e portanto sociais. Estes eram levados a acreditar que participariam de uma pesquisa na prestigiada universidade de Yale; num experimento envolvendo um professor e um aprendiz, onde o segundo deveria levar choques cada vez mais intensos aplicados pelo entrevistado conforme respondia incorretamente uma questão de memorização simples.

        Acompanhado de um pesquisador o entrevistado adentrava-se em uma sala e era instruído a controlar uma máquina de choque com avisos dos danos causados em cada nível. Aos 300 volts constava um texto de choque grande, enquanto aos 375 volts constava o texto choque grave e pôr fim aos 450 volts havia apenas símbolos XXX

        Psicólogos e Psiquiatras da Universidade acreditavam que poucos passariam dos 300 volts e sugeriram que menos de 0,01% dos entrevistados poderiam chegar até ao limite máximo de 450 volts. Os resultados foram impressionantes, 100% dos entrevistados aplicaram choques de 300 volts e 65% chegaram ao nível máximo.

        O aprendiz, na verdade um ator, não levava os choques de fato; contudo ao receber os choques fictícios de 300 volts simulava uma dor gigantesca e pedia para sair da sala, ao receber choques de 375 volts simulava um desmaio ou morte sem mais responder as questões, fato que não impediu os entrevistados de dar o próximo passo já que a ausência de resposta aos questionamentos também deveria ser considerada uma resposta incorreta. 

        Durante os experimentos houveram entrevistados que desmaiaram ou até mesmo sofreram convulsões, no final da pesquisa toda verdade era revelada em sua totalidade para o entrevistado. Milgrammodificou seus experimentos, contudo obteve os mesmos resultados; concluiu portanto, que a pressão sentida pelo entrevistado era capaz de desvirtuar até mesmo os preceitos morais mais fortes. 

        Ressaltou que a formação de obediência social é básica na estrutura de aprendizagem e é a principal fonte que possibilita atos de crueldade em massa. Seus experimentos foram questionados eticamente por expor o entrevistado a danos emocionais além de ter englobado apenas a cultura estadunidense; contudo o mesmo experimento realizado na Europa mostrou resultados similares, na Ásia uma obediência maior e na América Latina uma obediência pouco menor.

        A conclusão final de Milgram foi a de que em uma sociedade onde a obediência é exigida é comum indivíduos abrir mão de suas autonomias em detrimento de autoridades existentes, afirmou que esta obediência é o que permite o funcionamento da sociedade hierarquizada atual. Não citou este modelo de sociedade como absolutamente ruim, contudo como sendo propenso a persuasão da autoridade para qualquer tipo de atividade criminal. Finalizou lembrando que não existem pessoas boas ou más, e que as ações devem ser analisadas dentro de todo o contexto.

        O trabalho Milgram é de deixar qualquer um “boaquiaberto”, talvez válido ressaltar que não é necessário a pressão concreta de um líder em si para levar um indivíduo a contrariar seus princípios e agir de forma impiedosa, sendo comum perceber obediência similar apenas com a definição de regras que leve o indivíduo a se sentir pressionado. Este comportamento ocorre tanto em contextos de autoridades públicas quanto no ambiente privado onde burocratas se veem acurralando colaboradores até o limite do saudável para entregarem resultados nunca exigidos diretamente. 

        Seria interessante entender também como são eleitos os líderes ou autoridades na sociedade atual em que vivemos, o primeiro deles que conhecemos ao nascermos é a figura patriarcal, matriarcal ou uma mistura de ambos; na infância e adolescências os eleitos são os mais fortes ou excêntricos e posteriormente na vida adulta os mais ricos ou líderes eleitos conscientemente ou empossados unilateralmente. Sempre que recebermos ordens é válido o questionamento: O que nos motiva ou nos pressiona a obedecer a uma autoridade mesmo que para isso devamos deixar de lado nossos próprios valores e princípios?

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