Abul Ala Maududi (1903 – 1979)

O objetivo da jihad islâmica é eliminar o domínio de um sistema não islâmico.

“O propósito do islã é um Estado islâmico e a destruição dos Estados que se opuserem a isso.“ [Maududi]

O islã não tem a intenção de confiar seu governo a um único Estado ou grupo de países. A meta do islã é provocar uma revolução universal.” [Maududi]

        A rejeição ao colonialismo Europeu na África, Ásia e Oriente Médio deu início a premonição de uma onda de declarações de independência; Maududi defendeu então que um Estado islâmico seria o arcabouço que sustentaria muitos destes países, principalmente o povo muçulmano.

        Concebeu então, um estado islâmico ideal, onde as leis não seriam as seculares construídas pelo próprio homem mas sim as nascidas com a religião; a democracia não era algo a ser buscado pelo povo através do estado mas sim se consolidaria quando todos se submetessem a vontade a Alá.

        Maududi argumentou que era necessária uma conversão ao islamismo com um entendimento inflexível da Palavra Profetizada; a população muçulmana sustentaria então o islamismo assim como a classe trabalhadora sustentaria o comunismo na concepção de Marx. Na concepção do filósofo quando tal conversão se concretizasse seria irrelevante a formação de Estados-Nações, pois todos os povos seriam unidos por uma só religião. 

        Defendeu que a jihad não seria uma luta de evolução espiritual, ou uma guerra santa como se apregoa atualmente, mas sim o modelo de revolução que buscaria estabelecer o reino de Deus na terra. Suas ideias foram de grande influência na formação do estado islâmico do Paquistão.

        Críticos alegam que ao invés de manter um curso evolucionário na política, as doutrinas de Maududi remeteram os muçulmanos aos primórdios dos tempos; seus apoiadores vêm a interferência do Ocidente nas políticas internas de países islâmicos uma forma de dominação colonial e resistem se apoiando nas interpretações do Corão como as leis inatas para governar a humanidade.

        Talvez por esta formação político-religiosa, temos hoje nos estados islâmicos uma sociedade de cultura forte, enraizada e imune à tentadora liberdade ocidental; esta força tem se mostrado uma resistência à expansão do capitalismo, que é capaz de destituir um ditador facilmente mas encontra dificuldades em se manter no poder sem entrar em confronto com a cultura social já estabelecida. 

        Mesmo as nações islâmicas ricas em petróleo e que possuem grande proximidade com o ocidente mantém sua estrutura fundamentada na rigorosidade islâmica, e apenas parte da população pode desfrutar dos avanços liberais. Os movimentos terroristas e a resposta ocidental de guerra ao terror mostraram que o assunto está longe de ser superado e que ainda existe uma indefinição de quem sairá vencedor nesta contraposição de culturas; no entanto, é possível perceber quem têm sofrido as maiores perdas; até então o povo e não o estado muçulmano.

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